CERN Consegue Transportar Antimatéria com Sucesso para Desafiar Teorias sobre o Universo
Cientistas da CERN transportaram 92 partículas de antimatéria em um caminhão adaptado ao redor do campus institucional na Suíça. A operação durou três horas e foi realizada com precisão quase cirúrgica. O objetivo é criar uma "rede de distribuição" para laboratórios europeus, permitindo experimentos independentes com alta precisão
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Cientistas da CERN transportam antimatéria com sucesso para desafiar teorias sobre o universo
Em uma demonstração inédita, pesquisadores da Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN), na Suíça, conseguiram levar 92 partículas de antimatéria em um caminhão adaptado ao redor do campus da instituição. A operação foi realizada com precisão quase cirúrgica e durou cerca de três horas.
A antimatéria é composta por "antipartículas", cópias idênticas das partículas que formam a matéria, mas com cargas opostas. Enquanto os elétrons têm carga negativa, o pósitron tem carga positiva. A ciência estuda essa substância desde a década de 1960 e busca entender por que ela não é encontrada no universo observável.
O experimento BASE (Baryon Antibaryon Symmetry Experiment) visa medir com extrema precisão as propriedades fundamentais dos antiprótons e compará-las com as dos prótons. Diferenças sutis poderiam revelar novas leis físicas ou explicar a sobrevivência da matéria após o Big Bang.
A "fábrica de antimatéria" do CERN é capaz de produzir e armazenar antiprótons, mas os campos magnéticos e radiações introduzem interferências críticas. Por isso, cientistas consideraram a solução radical de retirar a antimatéria do ambiente onde ela é produzida e levá-la para locais mais "silenciosos" do ponto de vista magnético.
O sistema desenvolvido para transportar antimatéria precisa ser compacto o suficiente para caber em um caminhão, mas robusto o bastante para resistir a vibrações, acelerações e frenagens durante o trajeto. Além disso, é necessário manter condições extremamente específicas: temperatura abaixo de 8,2 kelvin (-264,95ºC) e vácuo quase absoluto.
O objetivo dos pesquisadores é criar uma "rede de distribuição" de antimatéria para laboratórios em toda a Europa. Isso permitiria que diferentes centros de pesquisa realizassem experimentos independentes com níveis de precisão até 100 vezes maiores do que os atuais.
Os próximos passos da pesquisa incluem aumentar o tempo de armazenamento, melhorar a estabilidade do sistema durante viagens mais longas e desenvolver infraestrutura em outros laboratórios para receber as partículas. Há também planos de aplicar a tecnologia a outras partículas exóticas, ampliando o escopo das pesquisas.
"Essa tecnologia é completamente nova e muito empolgante", afirma Christian Smorra, líder do BASE. Se bem-sucedido, o projeto poderá transformar a forma como a física experimental é conduzida.