Ciência

China cria tecnologia de micro-ondas para neutralizar satélites sem gerar resíduos orbitais

11 de Abril de 2026 às 07:48

A China cria tecnologias de energia direcionada para desativar satélites, destacando-se o gerador TPG1000Cs com pulsos de 20 gigawatts. O projeto Zhuri emprega feixes precisos para transmissão de energia e guerra eletrônica. O objetivo é a degradação de eletrônicos e a interferência em comunicações

China cria tecnologia de micro-ondas para neutralizar satélites sem gerar resíduos orbitais
SpaceX

A China avança no desenvolvimento de tecnologias de energia direcionada capazes de inutilizar satélites em órbita sem o uso de mísseis, focando em sistemas de micro-ondas de alta potência e infraestruturas solares espaciais. Essa abordagem estratégica se divide em duas frentes tecnológicas complementares.

No Northwest Institute of Nuclear Technology, uma equipe liderada por Wang Gang desenvolveu o TPG1000Cs, um gerador compacto para armas de micro-ondas. O sistema é capaz de emitir pulsos de 20 gigawatts com duração de até um minuto. Como a marca de 1 gigawatt já é considerada suficiente para perturbar ou danificar satélites em órbita baixa, a potência do TPG1000Cs superaria amplamente esse limite, permitindo ataques a constelações de baixa altitude sem a necessidade de explosões visíveis.

Simultaneamente, o projeto espacial Zhuri explora a transmissão de energia da órbita para a Terra. Em artigo publicado na Scientia Sinica Informationis, o cientista Duan Baoyan detalhou que o design do sistema prevê o uso de feixes extremamente estreitos e de alta precisão. Embora a finalidade primária seja a transmissão energética, a tecnologia possibilita aplicações de guerra eletrônica, incluindo controle remoto, interferência, reconhecimento, navegação e comunicação.

Essa modalidade de ataque oferece vantagens táticas sobre os mísseis antisatélites tradicionais, pois não produz fragmentos ou nuvens de detritos espaciais que comprometeriam outras missões por décadas. Além disso, a ausência de restos físicos torna a atribuição imediata da autoria do ataque mais complexa em cenários de conflito espacial.

A viabilidade operacional, porém, ainda enfrenta obstáculos técnicos. A dispersão atmosférica reduz a potência do sinal em longas distâncias e a alta velocidade de deslocamento dos satélites exige antenas altamente direcionadas para manter o feixe fixo sobre o alvo por tempo suficiente.

As pesquisas indicam que a estratégia de Pequim prioriza a degradação da eletrônica, a cegueira de sistemas e a interferência em comunicações em vez da destruição física dos alvos. Essa ambiguidade técnica redefine a dinâmica de controle e neutralização de ativos em órbita.

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