China desenvolve drones com sensores quânticos para localizar submarinos com alta precisão
Pesquisadores da Corporação China de Ciência e Tecnologia Aeroespacial desenvolveram um sistema de detecção magnética acoplado a drones para localizar submarinos. A tecnologia utiliza um magnetômetro atômico que elimina pontos cegos em latitudes baixas e registrou precisão de 0,849 nT em testes na costa de Weihai
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Pesquisadores da Corporação China de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (CASC) desenvolveram um sistema de detecção magnética acoplado a drones capaz de localizar submarinos com alta precisão. A tecnologia, detalhada no *Chinese Journal of Scientific Instrument*, foca na superação de limitações técnicas de magnetômetros convencionais, que apresentam pontos cegos em latitudes baixas, como no Mar da China Meridional, onde o campo magnético da Terra se posiciona quase paralelamente à superfície.
O dispositivo utiliza um magnetômetro atômico baseado na técnica de captura coerente de população (CPT), que emprega interferência quântica em átomos de rubídio. O sistema opera detectando o efeito Zeeman, no qual campos magnéticos alteram os níveis de energia dos átomos, gerando sete sinais de ressonância de microondas. Esse processo permite que o sensor determine a intensidade e a direção do campo magnético sem depender de sua orientação física, eliminando a existência de pontos cegos.
Para evitar que a interferência eletromagnética do próprio drone comprometa a leitura, o sensor CPT é suspendido por um cabo de 20 metros. A estrutura conta ainda com um magnetômetro fluxgate para correção de direção e estações terrestres com GPS. Estas processam os dados via algoritmos que removem ruídos, compensam variações diurnas do campo geomagnético e produzem mapas de alta resolução de anomalias magnéticas.
A eficácia do sistema reside no fato de que cascos metálicos e motores de submarinos distorcem o campo magnético natural, criando assinaturas detectáveis mesmo quando a embarcação é inaudível para sonares. Em testes realizados na costa de Weihai, província de Shandong, um drone cobriu uma área de 400 por 300 metros com 34 pontos de cruzamento. Os resultados iniciais registraram precisão de 2,517 nanotesla (nT), valor que foi refinado para 0,849 nT após a correção de erros.
Com precisão na escala de picotesla, a tecnologia chinesa atinge desempenho similar ao MAD-XR, utilizado por Estados Unidos, Japão e aliados da OTAN. Contudo, enquanto o MAD-XR exige múltiplas sondas para evitar pontos cegos, tornando-se complexo e caro, o sistema da CASC resolve a questão com uma única unidade.
Apesar do avanço, o grupo de pesquisa indica que o sistema ainda não está apto para operações em campo de batalha, pois os testes ocorreram em condições controladas. A estabilidade do sensor diante de correntes oceânicas, instabilidades de voo do drone ou interferências de navios e atividades costeiras ainda precisa ser validada. Além disso, existem tecnologias em desenvolvimento, como os magnetômetros SERF, que buscam alcançar a sensibilidade de femtotesla, superando a de picotesla em mil vezes.
Para além da aplicação militar, a CASC aponta que a tecnologia pode ser utilizada em fins civis, como no mapeamento de depósitos de petróleo, estudos de atividade tectônica submarina e localização de vestígios arqueológicos.