China desenvolve sistema de defesa planetária para interceptar asteroides antes que atinjam a Terra
A China criou um sistema de defesa planetária baseado em alerta precoce, intervenção em órbita e resposta sistêmica para interceptar asteroides. A estratégia utiliza telescópios terrestres, satélites e missões de impacto cinético para desviar a órbita de objetos espaciais
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A China desenvolveu a arquitetura de defesa planetária mais ambiciosa proposta por qualquer nação até o momento, com um plano estruturado para interceptar asteroides antes que atinjam a Terra. O sistema baseia-se em três pilares fundamentais: alerta precoce, intervenção em órbita e resposta sistêmica.
Infraestrutura de rastreamento e detecção
A estratégia combina o uso de telescópios terrestres de grande abertura com satélites em órbita. A função dos instrumentos terrestres, que utilizam espelhos amplos para captar luz estelar fraca e garantir precisão no rastreio, exige a identificação de locais com céus escuros e limpos.
Para eliminar os pontos cegos causados pelas condições climáticas e pela rotação da Terra, a rede utiliza satélites. Essas sondas orbitais permitem a observação contínua e, crucialmente, conseguem monitorar a região do Sol. Essa capacidade é vital, pois a luminosidade solar ofusca os telescópios terrestres, fator que contribuiu para que o meteoro de Cheliábinsk, em 2013, não fosse detectado antes de ferir mais de 1.600 pessoas na Rússia.
Li Mingtao, cientista-chefe do novo centro de pesquisa de alerta precoce e rastreamento de asteroides da Administração Nacional do Espaço da China, destaca que o maior risco reside nos asteroides de aproximadamente 140 metros de diâmetro. Enquanto 95% dos objetos com mais de 1 quilômetro já foram catalogados, apenas 45% dos menores — capazes de destruir um país pequeno — foram localizados.
Estratégias de interceptação e desvio
Para neutralizar ameaças reais, a China planeja a utilização de uma frota de naves espaciais projetadas para colidir com rochas em rota de colisão. Wu Weiren, principal projetista do programa lunar chinês, informou que o país prepara para este ano uma missão de demonstração de impacto cinético.
O procedimento consiste no envio de duas naves: uma para o estudo do alvo e outra para colidir com o asteroide a milhões de quilômetros da Terra. O objetivo é deslocar a órbita do objeto entre 3 e 5 centímetros, o que, com a distância necessária, resultaria em uma mudança de curso de centenas de milhares de quilômetros. Essa metodologia foi validada em 2022 pela sonda DART da NASA, que reduziu a órbita da lua Dimorphos em 33 minutos.
Alternativas tecnológicas e riscos geopolíticos
Paralelamente ao plano oficial, pesquisadores do Instituto de Engenharia de Sistemas de Naves Espaciais de Pequim, liderados por Zhang He, sugerem medidas mais drásticas na revista Scientia Sinica Technologica. O grupo argumenta que os catálogos atuais subestimam a ameaça real e propõe:
- O lançamento de mísseis nucleares em foguetes de resposta rápida, com tempo de chegada ao alvo entre 7 e 30 dias.
- O posicionamento de armas nucleares em pontos de Lagrange, onde a gravidade do Sol e da Terra se anulam.
Ambas as propostas, no entanto, enfrentariam barreiras técnicas — já que nenhum país possui foguetes de lançamento tão rápido — e jurídicas, pois violariam o Tratado de Proibição Completa de Ensaios Nucleares e o Tratado sobre o Espaço Ultraterrestre de 1967.
A dualidade do sistema chinês gera preocupações em Washington, Tóquio e Moscou. A capacidade de rastrear e interceptar objetos no espaço e na superfície terrestre, embora apresentada como defesa da humanidade, pode ser interpretada como a montagem de um sistema de armas espaciais.
Dados de monitoramento
A urgência do sistema é reforçada por dados da NASA de junho de 2021, que listam mais de 26.000 objetos próximos à Terra, sendo 2.185 classificados como potencialmente perigosos. Recentemente, o desenvolvimento de algoritmos chineses de modelagem de impacto foi acelerado após o alerta da Agência Espacial Europeia sobre o asteroide 2024 YR4, que possuía 2,2% de chance de colisão em 2032, embora a ameaça tenha sido posteriormente descartada. Até 30 de junho, não há asteroides conhecidos em trajetória de colisão confirmada com o planeta.