China expandirá estação espacial Tiangong para se tornar a única estrutura permanente em órbita
A China expandirá a estação espacial Tiangong a partir de 2027 para transformá-la em um complexo de 198 toneladas e 24 metros de extensão. O projeto prevê a instalação de novos módulos científicos e multifuncionais até 2030, com operação autorizada até 2042. A estrutura abrirá vagas para astronautas estrangeiros a partir de 2026

A China iniciou um plano de expansão da estação espacial Tiangong para transformá-la em um complexo de arranjo cruciforme, visando consolidá-la como a única estrutura permanente em órbita após a aposentadoria da Estação Espacial Internacional (ISS) em 2030. Atualmente composta por três módulos em formato de T — o núcleo Tianhe e os laboratórios Wentian e Mengtian, que somam 70 toneladas —, a estação passará por ampliações estruturais a partir de 2027.
O cronograma de crescimento prevê a instalação de um módulo multifuncional com seis portas de atracação no final de 2027, utilizando o foguete Longa Marcha 5B, capaz de transportar 25 toneladas para a órbita baixa. Entre 2028 e 2029, dois novos módulos científicos serão acoplados. Ao final do processo, em 2030, a Tiangong atingirá uma massa total de 198 toneladas e terá 24 metros de extensão entre as pontas de seus painéis solares. O objetivo da China Academy of Space Technology (CAST) é dobrar a capacidade de pesquisa científica e viabilizar a recepção de missões internacionais.
Enquanto a NASA contratou a SpaceX por US$ 843 milhões para desenvolver o veículo que empurrará a ISS para uma reentrada controlada no Oceano Pacífico em 2030, o governo chinês autorizou a operação da Tiangong até 2042. Esse cenário estimula a aproximação de parceiros da ISS, como Rússia, Índia e Paquistão, embora a cooperação direta entre a NASA e a CAST seja proibida pela Wolf Amendment de 2011.
A abertura para estrangeiros já é concreta. A CAST selecionou astronautas do Paquistão, Hong Kong e Macau para missões a partir de 2026, com candidaturas recebidas também da Tailândia, Bielorrússia e Indonésia. O processo envolve 11 etapas de seleção em hospitais militares chineses e um treinamento de 18 meses em Pequim, com permanências em órbita variando entre 30 e 60 dias. Paralelamente, o primeiro voo não tripulado da nova espaçonave Mengzhou está programado para o fim de 2026.
No Brasil, a Agência Espacial Brasileira (AEB) mantém cooperação com a CAST desde 1988, resultado da parceria CBERS que já entregou seis satélites de monitoramento. Atualmente, há discussões para a inclusão de um astronauta brasileiro em missões na Tiangong, enquanto o INPE estuda a realização de experimentos biológicos a bordo. Outras frentes de cooperação bilateral incluem a fabricação conjunta de satélites geoestacionários, mantendo o Centro de Lançamento de Alcântara como ativo estratégico para acordos com os EUA e a SpaceX.
Do ponto de vista financeiro e comercial, a Tiangong foi construída com um investimento estimado em US$ 8 bilhões, representando cerca de 5% do custo acumulado da ISS, que consumiu US$ 150 bilhões desde 1998. A estação chinesa já abre espaço para experimentos farmacêuticos privados e a empresa Galactic Energy negocia voos turísticos para até quatro civis. Esse movimento ocorre simultaneamente aos planos da SpaceX e da Axiom Space de desenvolver estações privadas.