Ciência

China inicia cultivo de duas gerações consecutivas de arroz na estação espacial Tiangong

26 de Maio de 2026 às 06:16

A missão Shenzhou-23 atracou na estação Tiangong nesta segunda-feira (25) com três astronautas e 54 quilos de carga. O objetivo é realizar o primeiro cultivo de duas gerações consecutivas de arroz em órbita para analisar a estabilidade genética da planta. Um dos tripulantes permanecerá na estação por 12 meses para monitorar o experimento

China inicia cultivo de duas gerações consecutivas de arroz na estação espacial Tiangong
Imagem: Ilustração artística

A missão Shenzhou-23 atracou na estação espacial Tiangong na madrugada desta segunda-feira (25), posicionando-se a 400 quilômetros da Terra. A nave transporta três astronautas e 54 quilos de carga científica, com destaque para sementes de arroz que darão início ao primeiro cultivo de duas gerações consecutivas do grão em órbita.

O estudo foca nos mecanismos moleculares de regulação da adaptabilidade ambiental e na estabilidade genética multi-geração da planta. O objetivo é analisar como a microgravidade prolongada interfere na capacidade do arroz de manter sua identidade biológica ao longo de gerações nascidas e criadas fora do planeta. Para isso, foram utilizadas amostras virgens, sem histórico de voos espaciais.

A iniciativa busca expandir os resultados obtidos em 2022, durante a missão Shenzhou-14, quando cientistas completaram o primeiro ciclo de vida da planta no espaço. Naquela ocasião, sementes germinaram, floresceram e produziram novos grãos em 120 dias, com brotos atingindo 30 centímetros. Enquanto a pesquisa anterior focou em um único ciclo, o experimento atual acompanhará a descendência da primeira geração para observar os efeitos da exposição orbital contínua.

Para viabilizar o monitoramento do ciclo completo das duas gerações, um dos três astronautas da Shenzhou-23 permanecerá na Tiangong por 12 meses consecutivos. A Academia Chinesa de Ciências, por meio do Centro de Excelência em Ciências Vegetais Moleculares e do Centro de Tecnologia e Engenharia para Utilização Espacial, indica que a compreensão do processo produtivo do arroz em microgravidade é fundamental para sustentar tripulações em missões de longa duração no espaço profundo.

A China mantém pesquisas sobre o comportamento do arroz em órbita desde 1987 e já aplica esses conhecimentos na agricultura terrestre. Em Qingdao, sementes irradiadas em missões espaciais anteriores foram utilizadas para criar o "arroz do mar", variedade adaptada a solos salinos que ocupou 6,67 milhões de hectares de terras improdutivas em quatro anos, gerando parcerias de adaptação para regiões áridas em países como os Emirados Árabes.

A relevância do grão é central para a economia e segurança alimentar chinesa. O país é o maior produtor e consumidor mundial, com um consumo de 210 milhões de toneladas, volume que supera a produção somada de Mianmar, Tailândia, Vietnã e Indonésia. Juntas, China e Índia detêm 59% da produção e 57% do consumo global.

Dados do Departamento de Agricultura dos EUA revelam que a reserva estratégica chinesa é crucial para a estabilidade global: sem ela, a relação estoque-consumo de arroz cairia para 19,7%, aproximando-se do limite de segurança alimentar de 17% definido pela FAO. No plano interno, a produção total de grãos da China ultrapassou 700 milhões de toneladas em 2024, com a posse per capita de 500 quilos por habitante, marca 25% superior à linha de segurança internacional.

A relação do país com o cereal remonta a pelo menos 9.000 anos, com evidências de cultivo ao longo do Rio Yangtzé e registros ligados ao povo de Hemudu, na província de Zhejiang.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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