China recupera propulsor de foguete de classe orbital pela primeira vez por meio de captura marítima
A China recuperou a primeira etapa do foguete Long March-10B no mar utilizando uma estrutura cúbica titânica com cabos mecanizados. O veículo de capacidade média foi lançado da base de Wenchang, em Hainan
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F301%2Ffaf%2Fcf8%2F301fafcf8c5983015727d4705918406a.jpg)
A China alcançou um marco tecnológico com a recuperação bem-sucedida do propulsor de primeira etapa do foguete Long March-10B no mar. Este evento marca a primeira vez que o país consegue recuperar um propulsor de classe orbital, aproximando-se do modelo de reutilização já consolidado por empresas como a SpaceX.
O lançamento ocorreu na base de Wenchang, localizada na província de Hainan. Seis minutos após a decolagem, a primeira etapa se separou da segunda, permitindo que a parte superior do veículo continuasse a ascensão para depositar a carga útil na órbita prevista.
Tecnologia de captura marítima
Diferente dos sistemas de pernas de pouso ou braços robóticos, a China implementou um método inédito de recuperação. O processo utilizou uma estrutura cúbica titânica instalada no oceano, equipada com uma rede de cabos mecanizados.
Ao descer e se posicionar dentro da plataforma, o foguete foi estabilizado por cabos esticados de lados opostos (topo e base) do cubo, mantendo o veículo na vertical sem que houvesse contato direto com o solo. O Long March-10B, que possui 63 metros de altura e 5 metros de diâmetro, é classificado como um foguete de capacidade média. A validação desse design visa reduzir os custos operacionais, evitando que equipamentos caros sejam descartados após cada missão.
Ecossistema de competidores chineses
A conquista do Long March-10B integra um movimento amplo de empresas estatais e privadas na China que buscam a autonomia de voo e pouso.
- Space Epoch: A empresa de Pequim investiu 5,2 bilhões de yuanes em uma "super fábrica" em Hangzhou, com capacidade para produzir até 25 foguetes reutilizáveis de combustível líquido. Em maio de 2025, a companhia validou a recuperação marítima com o Yuanxingzhe-1, que utiliza a mistura de metano e oxigênio líquido para garantir maior eficiência e menor resíduo nos motores.
- Galactic Energy: Desenvolve o PALLAS-1, um veículo de duas etapas com 283 toneladas que transporta quase 8 toneladas para a órbita terrestre baixa. O plano inclui missões comerciais em 2025 e o projeto do PALLAS-2, com capacidade de carga de 30 toneladas.
- i-Space: Após testar o sistema de decolagem e pouso vertical com o SQX-2Y em 2023, a empresa projeta o primeiro lançamento orbital e tentativa de recuperação do SQX-3 para dezembro de 2025, com previsão de revoo em junho de 2026.
- Deep Blue Aerospace: Em setembro de 2024, o foguete Nebula-1 completou 10 de 11 objetivos em um teste de recuperação vertical de alta altitude. A meta é iniciar voos suborbitais comerciais em 2027.
- LandSpace: Registrou em setembro de 2024 o pouso do Zhuque-3 após um salto vertical de 9,7 quilômetros. A empresa planeja três missões em 2025, com carga combinada de 60 toneladas e foco na recuperação da primeira etapa.
- Space Pioneer e Orienspace: A primeira desenvolve o Tianlong-3, de 71 metros, projetado para até dez voos. A segunda trabalha no Gravity-2, com lançamento previsto entre o final de 2025 e o início de 2026.
A aceleração desses projetos é impulsionada pela alta demanda de mercado, que fomenta a inovação em materiais, processos e métodos de teste para tornar a tecnologia de foguetes reutilizáveis generalizada.