Ciência

China recupera propulsor de foguete de classe orbital pela primeira vez por meio de captura marítima

14 de Julho de 2026 às 06:48

A China recuperou a primeira etapa do foguete Long March-10B no mar utilizando uma estrutura cúbica titânica com cabos mecanizados. O veículo de capacidade média foi lançado da base de Wenchang, em Hainan

China recupera propulsor de foguete de classe orbital pela primeira vez por meio de captura marítima
Imagen del Long March 10B recuperada con éxito por China.

A China alcançou um marco tecnológico com a recuperação bem-sucedida do propulsor de primeira etapa do foguete Long March-10B no mar. Este evento marca a primeira vez que o país consegue recuperar um propulsor de classe orbital, aproximando-se do modelo de reutilização já consolidado por empresas como a SpaceX.

O lançamento ocorreu na base de Wenchang, localizada na província de Hainan. Seis minutos após a decolagem, a primeira etapa se separou da segunda, permitindo que a parte superior do veículo continuasse a ascensão para depositar a carga útil na órbita prevista.

Tecnologia de captura marítima

Diferente dos sistemas de pernas de pouso ou braços robóticos, a China implementou um método inédito de recuperação. O processo utilizou uma estrutura cúbica titânica instalada no oceano, equipada com uma rede de cabos mecanizados.

Ao descer e se posicionar dentro da plataforma, o foguete foi estabilizado por cabos esticados de lados opostos (topo e base) do cubo, mantendo o veículo na vertical sem que houvesse contato direto com o solo. O Long March-10B, que possui 63 metros de altura e 5 metros de diâmetro, é classificado como um foguete de capacidade média. A validação desse design visa reduzir os custos operacionais, evitando que equipamentos caros sejam descartados após cada missão.

Ecossistema de competidores chineses

A conquista do Long March-10B integra um movimento amplo de empresas estatais e privadas na China que buscam a autonomia de voo e pouso.

  • Space Epoch: A empresa de Pequim investiu 5,2 bilhões de yuanes em uma "super fábrica" em Hangzhou, com capacidade para produzir até 25 foguetes reutilizáveis de combustível líquido. Em maio de 2025, a companhia validou a recuperação marítima com o Yuanxingzhe-1, que utiliza a mistura de metano e oxigênio líquido para garantir maior eficiência e menor resíduo nos motores.
  • Galactic Energy: Desenvolve o PALLAS-1, um veículo de duas etapas com 283 toneladas que transporta quase 8 toneladas para a órbita terrestre baixa. O plano inclui missões comerciais em 2025 e o projeto do PALLAS-2, com capacidade de carga de 30 toneladas.
  • i-Space: Após testar o sistema de decolagem e pouso vertical com o SQX-2Y em 2023, a empresa projeta o primeiro lançamento orbital e tentativa de recuperação do SQX-3 para dezembro de 2025, com previsão de revoo em junho de 2026.
  • Deep Blue Aerospace: Em setembro de 2024, o foguete Nebula-1 completou 10 de 11 objetivos em um teste de recuperação vertical de alta altitude. A meta é iniciar voos suborbitais comerciais em 2027.
  • LandSpace: Registrou em setembro de 2024 o pouso do Zhuque-3 após um salto vertical de 9,7 quilômetros. A empresa planeja três missões em 2025, com carga combinada de 60 toneladas e foco na recuperação da primeira etapa.
  • Space Pioneer e Orienspace: A primeira desenvolve o Tianlong-3, de 71 metros, projetado para até dez voos. A segunda trabalha no Gravity-2, com lançamento previsto entre o final de 2025 e o início de 2026.

A aceleração desses projetos é impulsionada pela alta demanda de mercado, que fomenta a inovação em materiais, processos e métodos de teste para tornar a tecnologia de foguetes reutilizáveis generalizada.

Notícias Relacionadas