Ciência

Cidade medieval descoberta no Uzbequistão revela centros urbanos permanentes em regiões montanhosas da Ásia Central

10 de Abril de 2026 às 15:06

Um estudo de 2024 publicado na revista Nature identificou, via tecnologia LiDAR, a cidade medieval de Tugunbulak no sudeste do Uzbequistão. O centro urbano de 120 hectares possui quatro cidadelas e estruturas de pedra em altitude entre 2.000 e 2.200 metros. A pesquisa também localizou o assentamento de Tashbulak na mesma região

A identificação do sítio arqueológico de Tugunbulak, no sudeste do Uzbequistão, altera a compreensão histórica sobre a ocupação da Ásia Central. Um estudo publicado em 2024 pela revista Nature revelou a existência de uma cidade medieval com aproximadamente 120 hectares, situada em uma altitude entre 2.000 e 2.200 metros. A descoberta contesta a visão predominante de que as regiões montanhosas da Rota da Seda serviam apenas como corredores de passagem, provando a existência de centros urbanos permanentes e de grande escala em locais anteriormente considerados improváveis para a urbanização.

A localização do sítio, caracterizada por relevo acidentado e clima rigoroso, indica que a escolha do terreno foi estratégica. A cidade provavelmente atuava como um ponto de controle ou articulação dentro da Rota da Seda, sugerindo que a rede comercial era sustentada por uma infraestrutura territorial mais ampla e complexa do que se imaginava. A escala de Tugunbulak demanda a existência de planejamento de longo prazo, organização social e mobilização de mão de obra significativa.

O mapeamento foi possível graças ao uso da tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging), com sensores acoplados a drones. A técnica utilizou pulsos de laser para gerar modelos tridimensionais da superfície, permitindo a remoção digital da vegetação e a identificação de padrões geométricos invisíveis a olho nu. As estruturas não estavam profundamente enterradas, mas integradas ao relevo e cobertas por irregularidades naturais.

Os dados revelaram um centro urbano estruturado, com divisões funcionais e traçado planejado. O sítio apresenta áreas residenciais, setores administrativos ou cerimoniais e zonas fortificadas. Destacam-se quatro cidadelas elevadas, que evidenciam uma hierarquia social definida e uma estratégia de vigilância e defesa baseada no aproveitamento do terreno. A utilização da pedra como material principal de construção reforça a adaptação dos habitantes às condições locais e a busca por durabilidade.

A pesquisa também identificou o sítio de Tashbulak, que possui características semelhantes, embora em menor dimensão. A coexistência de múltiplos assentamentos na região indica que a urbanização em alta altitude era um padrão de ocupação regional e não um evento isolado.

A descoberta demonstra como a integração entre tecnologia de sensoriamento remoto e pesquisa de campo expande o alcance da arqueologia em áreas de difícil acesso, sugerindo que outros centros urbanos podem permanecer ocultos em regiões historicamente negligenciadas.

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