Ciência

Cidades da China e do Japão reduziram a poluição do ar enquanto cresceram economicamente

22 de Junho de 2026 às 06:38

A Agência Espacial Europeia e o instituto Nilu registraram a redução de dióxido de nitrogênio na China e no Japão entre 2019 e 2024. O estudo publicado na Nature Cities indica que quase 80% de 2.475 áreas urbanas analisadas cresceram economicamente com a melhoria da qualidade do ar

Cidades da China e do Japão reduziram a poluição do ar enquanto cresceram economicamente
ESA

A Agência Espacial Europeia (ESA) identificou uma redução significativa na concentração de dióxido de nitrogênio na China e no Japão, conforme evidenciado por mapas de poluição que mostram o enfraquecimento de manchas vermelhas intensas quando comparadas a dados de 2019. A análise, conduzida pelo instituto norueguês Nilu e publicada na revista *Nature Cities*, utilizou medições realizadas entre janeiro de 2019 e dezembro de 2024, combinando informações econômicas com dados do satélite Copernicus Sentinel-5P.

O monitoramento foi possível graças ao instrumento Tropomi, que permite uma visão global e homogênea da atmosfera. Essa tecnologia possibilitou a comparação de 2.475 áreas urbanas para verificar a relação entre prosperidade econômica e níveis de poluição. Os resultados indicam que quase 80% dessas cidades conseguiram crescer economicamente enquanto melhoravam a qualidade do ar.

Na China, esse fenômeno é expressivo: 719 cidades, incluindo Xangai, Pequim e Chengdu, apresentam um crescimento mais limpo. Essa tendência é atribuída à implementação de normas de emissão mais rígidas, à eletrificação do transporte público e ao deslocamento de indústrias poluentes para fora dos centros urbanos.

O dióxido de nitrogênio, principal foco do estudo, é proveniente de processos de combustão, como usinas, atividades industriais e tráfego veicular. Embora não seja um gás de efeito estufa, o poluente é prejudicial à saúde humana, podendo agravar asma, irritar os pulmões, causar problemas cardiorrespiratórios e levar a mortes prematuras, além de contribuir para a formação de partículas finas, ozônio troposférico e smog.

Apesar do avanço observado no leste da Ásia, a pesquisa aponta exceções em cidades do Oriente Médio e do sul da Ásia, como Riade, Abu Dhabi, Moscou, Izmir e Tashkent, onde a expansão econômica ainda está atrelada a uma maior dependência de combustíveis fósseis.

Daniel Moran, pesquisador do Nilu e coautor do trabalho, ressalta que as cidades possuem capacidade e motivação para abandonar os combustíveis fósseis, muitas vezes superando a vontade de políticos nacionais. Antony Delavois, cientista de composição atmosférica da ESA, reforça que o estudo comprova a possibilidade de conciliar desenvolvimento econômico com ar mais limpo.

Os autores do estudo ressalvam que a diminuição do dióxido de nitrogênio não indica necessariamente a mesma evolução para o dióxido de carbono ou outros gases de efeito estufa. No entanto, a ESA enfatiza que o monitoramento via satélite oferece uma escala e continuidade de avaliação que seriam inviáveis a partir do solo, permitindo mensurar a modificação da poluição atmosférica mesmo que o problema não tenha sido totalmente eliminado.

Notícias Relacionadas