Ciência ainda não comprova que suplementos de NAD+ e resveratrol retardem o envelhecimento humano
A indústria de suplementos promove compostos como NAD+, seus precursores e o resveratrol para retardar o envelhecimento celular. Ensaios clínicos e revisões científicas não comprovam a eficácia dessas substâncias na preservação da função muscular, cognição ou idade biológica humana
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A indústria de suplementos tem expandido sua atuação para além dos cosméticos, focando agora em produtos que prometem retardar o envelhecimento por meio da intervenção em processos celulares. No centro dessa tendência estão a coenzima NAD+, seus precursores e o composto resveratrol, substâncias que atuam em vias biológicas ligadas à produção de energia e à manutenção das células.
A nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD+) é uma coenzima presente em todas as células vivas, essencial para o metabolismo energético, a inflamação, a reparação do DNA e a resposta ao estresse celular. Com o avanço da idade, os níveis dessa molécula tendem a diminuir, o que reduz a função mitocondrial — as estruturas responsáveis pela geração de energia nas células —, configurando uma das alterações biológicas do envelhecimento.
Devido à baixa eficiência da absorção da NAD+ quando ingerida, a ciência tem investigado precursores que o corpo consegue converter nessa coenzima, como o ribosídeo de nicotinamida (NR) e o mononucleotídeo de nicotinamida (NMN). Em modelos animais, como camundongos, esses compostos demonstraram melhorias na sensibilidade à insulina, no metabolismo energético e na função física, com alguns relatos de aumento na expectativa de vida. Contudo, esses resultados não são transponíveis diretamente para seres humanos.
Em ensaios clínicos com pessoas, o NMN e o NR conseguem elevar os níveis de NAD+ no sangue, mas a comprovação de efeitos significativos em tecidos específicos ainda é limitada. Embora existam indícios de benefícios na saúde metabólica para grupos específicos, revisões recentes não confirmaram que esses suplementos preservem a função ou a massa muscular em idosos. Além disso, a eficácia desses produtos sobre a cognição, a força e a idade biológica permanece incerta, em parte porque a maioria dos estudos dura apenas semanas ou meses, enquanto o envelhecimento é um processo prolongado.
No campo da dermatologia, a inclusão da NAD+ em séruns e cremes carece de evidências robustas. Não há clareza se a aplicação tópica consegue penetrar na pele em volume suficiente para gerar efeitos antienvelhecimento, tornando ingredientes como niacinamida, retinoides e protetor solar opções com comprovação científica superior para tratar sinais visíveis do tempo.
Já o resveratrol, polifenol encontrado em amendoins e frutas vermelhas (como uvas e frutas vermelhas), difere dos precursores da NAD+. Em laboratório e em animais, ele reduz a inflamação e melhora a função mitocondrial. No entanto, a substância possui baixa biodisponibilidade oral, sendo degradada antes de atingir os tecidos humanos nas concentrações usadas em experimentos. Até o momento, não há evidências convincentes de que o resveratrol retarde o envelhecimento humano, e os dados sobre benefícios anti-inflamatórios e cardiovasculares são contraditórios.
O uso de resveratrol requer cautela, pois pode causar sintomas gastrointestinais em altas doses e interagir com medicamentos antiagregantes plaquetários e anticoagulantes. Por isso, a consulta médica é indispensável para gestantes, lactantes ou pessoas com condições crônicas e uso regular de fármacos.
Embora a atuação desses compostos em vias de manutenção celular seja biologicamente plausível, a ciência ainda não comprovou que eles retardem o envelhecimento humano. Persistem lacunas sobre doses ideais, segurança a longo prazo e o perfil de pacientes que poderiam se beneficiar. Atualmente, a manutenção de um envelhecimento saudável é mais eficazmente alcançada por meio de hábitos cotidianos, como dieta equilibrada, sono de qualidade, exercícios regulares, controle de doenças crônicas e a restrição do tabaco e do álcool.