Ciência

Cientistas chineses desenvolvem bateria de lítio que opera com eficiência em temperaturas de até −50 °C

30 de Abril de 2026 às 18:09

Cientistas chineses desenvolveram uma bateria de lítio com eletrólito de acetato de etila que opera a até −50 °C. A tecnologia mantém mais de 90% de eficiência a −20 °C e deve chegar a veículos premium em dois anos

Cientistas chineses desenvolveram uma nova bateria de lítio capaz de operar em temperaturas extremas de até −50 °C, mantendo a estabilidade do desempenho e da autonomia. O estudo, publicado na revista Nature em fevereiro, apresenta uma solução para a perda de eficiência que afeta veículos elétricos em ambientes frios, permitindo que a tecnologia seja utilizada com confiabilidade em regiões onde o clima intenso anteriormente inviabilizava seu uso.

A inovação concentra-se na composição química do eletrólito, que utiliza um material baseado em acetato de etila. Essa escolha impede que o componente congele ou apresente aumento excessivo de viscosidade em baixas temperaturas, problema que, em baterias convencionais, reduz a mobilidade dos íons de lítio e compromete a eficiência. No novo modelo, o fluxo de íons permanece rápido e estável, garantindo a condução de energia de forma contínua. Somado a isso, a arquitetura interna foi redesenhada para diminuir a resistência de transferência de carga, otimizando a circulação energética.

A diferença técnica é expressiva quando comparada aos modelos tradicionais. Enquanto baterias convencionais podem perder entre 40% e 50% de sua capacidade operacional em temperaturas negativas — chegando a operar com apenas 45% de eficiência a −20 °C devido à densidade do eletrólito —, a nova tecnologia mantém mais de 90% de eficiência sob a mesma condição térmica.

Para o usuário, esse avanço elimina falhas de desempenho, a perda repentina de carga e a dependência excessiva de sistemas de aquecimento do sistema. Além disso, a nova estrutura reduz o estresse térmico nas células, o que prolonga a vida útil do componente, diminui os custos de manutenção e aumenta a previsibilidade e a segurança dos veículos.

Embora os resultados laboratoriais sejam positivos, a produção em larga escala requer ajustes industriais. A expectativa é que a tecnologia seja integrada a veículos elétricos de modelos premium em cerca de dois anos, aproveitando a robusta cadeia produtiva de baterias já estabelecida na China.

A aplicação do novo sistema de lítio também deve extrapolar o setor automotivo, com potencial para equipar dispositivos críticos em regiões polares, áreas remotas e operações de alta altitude.

A viabilização da mobilidade elétrica em mercados estratégicos, como Canadá, norte da Europa e partes da Ásia, reduz a dependência de sistemas de aquecimento e melhora a eficiência energética global. O desenvolvimento consolida a liderança chinesa na transição energética e remove barreiras técnicas que restringiam o uso de veículos elétricos a climas moderados.

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