Cientistas descobrem nuvem molecular de hidrogênio a 300 anos-luz da Terra usando técnica inédita
Uma equipe internacional identificou a nuvem molecular de hidrogênio Eos a 300 anos-luz da Terra. A estrutura tem formato de meia-lua, massa de 3.400 sóis e foi detectada via emissão de ultravioleta distante pelo satélite STSAT-1
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Uma nuvem molecular de hidrogênio, batizada de Eos em homenagem à deusa grega da aurora, foi identificada a aproximadamente 300 anos-luz da Terra. A estrutura, descrita em estudo publicado na Nature Astronomy por uma equipe internacional, destaca-se como uma das maiores formações individuais visíveis no céu e uma das mais próximas do Sol e do nosso planeta já detectadas.
A descoberta foi possível graças ao uso de uma técnica pouco comum: o rastreamento direto do hidrogênio molecular por meio de sua emissão no ultravioleta distante. Esse método difere das abordagens convencionais, que dependem de sinais indiretos. A Eos permaneceu oculta até então por possuir baixos níveis de monóxido de carbono, substância geralmente utilizada para localizar tais estruturas interestelares, tornando-a "escura em CO".
Para a análise, os pesquisadores utilizaram dados de 2023 do espectrógrafo de ultravioleta distante FIMS-SPEAR, equipamento do satélite sul-coreano STSAT-1. Os resultados revelaram uma nuvem com formato de meia-lua, apresentando uma largura aparente de cerca de 40 luas cheias e massa equivalente a 3.400 sóis.
Localizada na borda da Bolha Local — a cavidade gasosa que envolve o sistema solar —, a formação é considerada um alvo estratégico para compreender o ciclo de vida de nuvens moleculares, que servem de matéria-prima para a criação de estrelas e planetas. Modelos indicam que a Eos pode evaporar em um período de 6 milhões de anos.
Blakesley Burkhart, professora da Universidade de Rutgers e autora do trabalho, pontuou que esta é a primeira vez que uma nuvem molecular é descoberta via emissão direta de hidrogênio no ultravioleta distante. Thavisha Dharmawardena, pesquisadora da Universidade de Nova York e coautora do estudo, ressaltou que a aplicação da fluorescência no ultravioleta distante tem potencial para alterar a compreensão atual sobre o meio interestelar, superando a dificuldade histórica de observar o hidrogênio molecular de forma direta.