Ciência

Cientistas descobrem vida animal sob o leito do oceano na Dorsal do Pacífico Oriental

21 de Maio de 2026 às 12:22

Cientistas identificaram animais, como caracóis e vermes tubícolas, vivendo sob o leito oceânico a 2.500 metros de profundidade na Dorsal do Pacífico Oriental. A pesquisa, publicada na Nature Communications, utilizou o robô SuBastian para localizar organismos em cavidades da crosta terrestre

Cientistas descobrem vida animal sob o leito do oceano na Dorsal do Pacífico Oriental
Youtube/@NPGPress

Uma expedição científica na Dorsal do Pacífico Oriental, região de forte atividade vulcânica submarina, identificou a existência de vida animal sob o leito do oceano, em profundidades de 2.500 metros. O estudo, publicado na Nature Communications, revelou que organismos anteriormente catalogados apenas na superfície do fundo marinho habitam também cavidades internas da crosta terrestre.

A descoberta foi conduzida pelas biólogas marinhas Monika Bright e Sabine Gollner, com o suporte do veículo robótico SuBastian, operado a partir de uma embarcação do Instituto Oceanográfico Schmidt. Por meio de ferramentas de precisão, a equipe extraiu fragmentos da crosta, expondo espaços aquecidos e preenchidos por fluidos ricos em compostos químicos.

Nesses ambientes subsuperficiais, foram encontrados invertebrados móveis, como caracóis e vermes tubícolas gigantes da espécie *Riftia pachyptila*. Esses seres sobrevivem sem a necessidade de luz solar, dependendo de bactérias quimiossintéticas para manter seus ciclos vitais.

A detecção dessas espécies fora das fontes hidrotermais superficiais indica que tais ecossistemas são mais extensos do que a ciência supunha. A hipótese levantada pelos pesquisadores é que as larvas desses animais utilizem os fluidos hidrotermais para se deslocar e colonizar novas cavidades sob a crosta, estabelecendo uma rede biológica integrada entre a superfície e o subsolo marinho.

A capacidade de prosperar em condições extremas e na ausência de luminosidade fornece subsídios para a astrobiologia, reforçando a possibilidade de existirem organismos semelhantes em outros planetas. Diante da identificação desses novos habitats, o Instituto Oceanográfico Schmidt enfatiza a urgência de proteger as zonas profundas do oceano contra impactos ambientais, dado que grande parte dessas áreas permanece inexplorada.

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