Ciência

Cientistas detectam a presença de lulas gigantes na costa da Austrália Ocidental via DNA ambiental

19 de Maio de 2026 às 06:37

Cientistas australianos identificaram 226 espécies marinhas nos cânions de Cape Range e Cloates, na Austrália Ocidental, utilizando a técnica de DNA ambiental. O estudo, publicado na revista Environmental DNA, registrou a presença da lula gigante e animais inéditos na região em profundidades de até 4.510 metros

Cientistas detectam a presença de lulas gigantes na costa da Austrália Ocidental via DNA ambiental
SMARTEX/ROV Isis

Uma expedição de cientistas australianos revelou a existência de um ecossistema submarino significativamente mais diverso do que o previsto nos cânions de Cape Range e Cloates, localizados na costa de Nyinggulu (Ningaloo), na Austrália Ocidental. O estudo, publicado na revista *Environmental DNA*, foi liderado pela Universidade de Curtin e conduzido pelo Museu da Austrália Ocidental a bordo do navio Falkor, do Schmidt Ocean Institute.

A pesquisa utilizou a técnica de DNA ambiental para mapear a biodiversidade local. Esse método identifica organismos por meio de fragmentos microscópicos de pele, mucosidade ou restos biológicos deixados na água, permitindo rastrear espécies sem a necessidade de captura, extração ou observação visual direta. A abordagem foi fundamental para explorar áreas de difícil acesso, onde a escuridão, a pressão extrema e os altos custos operacionais limitam os estudos tradicionais.

Durante a operação, a equipe coletou mais de 1.000 amostras em profundidades que variaram da superfície até os 4.510 metros. A análise genética detectou 226 espécies distribuídas em 11 grandes grupos animais, abrangendo mamíferos marinhos, equinodermos, cnidários, lulas e peixes de profundidade. O levantamento registrou a presença de animais nunca antes documentados nas águas da Austrália Ocidental, como a anguila cusk sem rosto, o tubarão dormilho e o peixe *slender snaggletooth*.

Um dos achados mais relevantes foi a detecção de sinais genéticos da lula gigante (*Architeuthis dux*) em seis amostras distintas nos cânions estudados. De acordo com a Dra. Lisa Kirkendale, do WA Museum, este é o primeiro registro da espécie na costa da Austrália Ocidental via DNA ambiental e a ocorrência mais ao norte da *A. dux* no leste do Oceano Índico. A espécie, que pode atingir entre 10 e 13 metros de comprimento e pesar até 275 kg, possui olhos com até 30 cm de diâmetro para sobreviver na escuridão. Anteriormente, havia apenas dois registros do animal na região, sem avistamentos documentados há mais de 25 anos.

A Dra. Georgia Nester, autora principal do estudo, ressaltou que a presença da lula gigante integra um cenário mais amplo de biodiversidade. A pesquisa identificou diversas espécies que não correspondem a registros atuais, indicando a existência de uma vasta quantidade de vida nas profundezas ainda desconhecida pela ciência.

Os dados demonstram que as comunidades marinhas variam conforme a profundidade e que ecossistemas distintos podem coexistir mesmo em cânions próximos. Para a professora associada Zoe Richards, a utilização do DNA ambiental oferece uma alternativa escalável e não invasiva para compreender esses habitats, fornecendo a base necessária para a gestão de parques marinhos e a implementação de medidas de conservação e pesca.

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