Ciência

Cientistas identificam granate em meteorito de Marte pela primeira vez na história

20 de Junho de 2026 às 09:07

Pesquisadores identificaram andradita, uma variedade de granate, no meteorito marciano NWA 8171, preservado no Museu Real de Ontário. O mineral, com dimensões de 0,8 por 0,5 milímetros, foi detectado em uma fenda basáltica por meio de microanálise e microscopia eletrônica. A equipe agora planeja analisar os isótopos de oxigênio para confirmar a origem da amostra

Cientistas identificam granate em meteorito de Marte pela primeira vez na história
Wikimedia Commons/Kluka/CC BY-SA 3.0

A identificação de granate em um meteorito de Marte, preservado no acervo do Museu Real de Ontário, estabelece um novo caminho para a compreensão da geologia do planeta vermelho. O achado, detalhado na revista *Geochemical Perspectives Letters*, revela a presença de andradita — uma variedade de granate rica em ferro — em uma amostra marciana, mineral que jamais havia sido detectado em materiais provenientes desse planeta.

A descoberta ocorreu durante a análise do meteorito NWA 8171, especificamente em uma fenda basáltica composta por materiais consolidados após o resfriamento do magma. O mineral foi localizado em um fragmento minúsculo, medindo aproximadamente 0,8 por 0,5 milímetros. Inicialmente, a equipe de pesquisa, liderada por Tanya Kizovski, professora assistente de Ciências da Terra na Brock University, acreditou tratar-se de piroxeno, um mineral comum. A reavaliação da amostra, realizada com microanálise, microscopia eletrônica e tecnologia a laser, confirmou que a composição química incomum correspondia, na verdade, ao granate.

A detecção foi complexa porque a andradita não apresenta necessariamente a cor vermelha escura típica das gemas de granate, possuindo tonalidades semelhantes a outros minerais meteoríticos, o que quase tornou a evidência invisível nas primeiras análises.

Do ponto de vista geológico, o granate funciona como uma cápsula do tempo, pois retém dados sobre as condições de sua formação. Na Terra, esse mineral é característico de rochas metamórficas expostas a pressões elevadas, altas temperaturas ou interação com fluidos quentes. Como Marte não apresentava, até então, explicações claras para a existência de tal mineral, a descoberta sugere processos internos ou superficiais mais complexos.

Kizovski indica que o calor e a pressão necessários para gerar granate por metamorfismo em Marte podem ter sido originados pela ascensão de magma para a crosta, pelo impacto de um meteorito na superfície do planeta, ou pela combinação de ambos os eventos.

Existe, contudo, a possibilidade de que o fragmento de granate não tenha origem marciana, mas tenha sido incorporado à fenda basáltica vindo de outro corpo planetário. Para dirimir essa dúvida, os pesquisadores — que incluem especialistas da Universidade de Portsmouth, da Università di Trieste, da Open University e do Museu Real de Ontário — planejam analisar os isótopos de oxigênio da amostra, procedimento que exigirá a destruição de parte do material raro.

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