Cientistas identificam novo tipo de célula humana que surge exclusivamente durante a gestação
Pesquisadores da Universidade da Califórnia identificaram as células estromais deciduais 4 (DSC4), que surgem na gestação para regular a conexão entre a placenta e o sangue materno. O estudo, publicado na revista Nature, analisou a atividade genética de 1,2 milhão de células para correlacionar as DSC4 a complicações como a pré-eclâmpsia e partos prematuros
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Cientistas da Universidade da Califórnia, em São Francisco (UCSF), identificaram um novo tipo de célula humana que surge exclusivamente durante a gestação. A descoberta, detalhada na revista Nature, ocorreu após a elaboração de um atlas celular do útero e da placenta, que monitorou a evolução dos tecidos de sustentação do feto desde as semanas iniciais até o momento do parto.
As células, denominadas células estromais deciduais 4 (DSC4), manifestam-se no início da gravidez e apresentam crescimento acelerado enquanto o útero se adapta para receber o embrião. A análise indica que essas células atuam como um regulador biológico fundamental para a conexão entre a placenta e o sistema sanguíneo da mãe, controlando a invasão de células fetais no útero para garantir o suprimento de oxigênio e nutrientes.
O mecanismo funciona como um freio biológico. Quando esse equilíbrio é comprometido, podem ocorrer falhas na placenta ou o desenvolvimento de pré-eclâmpsia. Outro ponto observado foi a presença de receptores sensíveis a cannabinoides nessas células, o que oferece uma base biológica para a associação entre o uso de substâncias como a maconha durante a gestação e a ocorrência de partos prematuros ou baixo peso ao nascer.
Para chegar a esses resultados, a equipe utilizou modelos de aprendizado de máquina e técnicas avançadas para analisar a atividade genética de mais de 1,2 milhão de células, coletadas entre a 5ª e a 39ª semana de gravidez. Esse mapeamento permitiu correlacionar variantes genéticas a funções específicas e identificar quais tipos celulares estão envolvidos em complicações gestacionais.
A autora principal do estudo, Jingjing Li, destacou que a natureza exata dessas células ainda é desconhecida, mesmo após consultas com outros especialistas. Apesar das lacunas biológicas remanescentes, a identificação das DSC4 é vista como o ponto de partida para o desenvolvimento de futuras terapias direcionadas.