Ciência

Cientistas recuperam comunicação com dispositivo óptico soviético inativo na Lua desde a década de 1970

08 de Junho de 2026 às 06:17

Cientistas dos Estados Unidos restabeleceram a comunicação com o retrorrefletor laser do robô soviético Lunokhod 1, inativo desde 1971. A operação utilizou imagens da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter para localizar o dispositivo e disparos de luz do Observatório Apache Point. Os dados obtidos auxiliam na medição das librações lunares e do afastamento do satélite em relação à Terra

Cientistas recuperam comunicação com dispositivo óptico soviético inativo na Lua desde a década de 1970
Lunokhod 1

Cientistas da agência espacial americana recuperaram a comunicação com um dispositivo óptico soviético que estava inativo na superfície da Lua desde a década de 1970. O sinal foi obtido após o direcionamento de um feixe de luz para as coordenadas precisas de uma plataforma antiga, cuja localização era incerta devido a imprecisões em mapas tradicionais. A operação foi viabilizada por imagens de alta resolução da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, que permitiram a geolocalização do chassi do Lunokhod 1.

O veículo robótico, que cessou a emissão de sinais de rádio em outubro de 1971, carrega um retrorrefletor laser de fabricação francesa. Por ser um componente passivo, o equipamento não depende de energia interna para operar. Astrônomos do projeto APOLLO, baseados no Observatório Apache Point, no Novo México, dispararam luz em direção ao Mar das Chuvas, recebendo o retorno do sinal em aproximadamente 2,5 segundos.

O desempenho do espelho superou as expectativas técnicas, registrando a devolução de cerca de 2.000 fótons no impacto inicial. Esse resultado quadruplica a potência do sinal emitido pelo refletor do Lunokhod 2, evidenciando que o instrumento do primeiro robô soviético permanece em excelente estado de conservação, apesar da hostilidade do ambiente espacial.

A descoberta, detalhada na revista científica Icarus, contribui para o aprimoramento dos sistemas de telemetria laser lunar. O dispositivo, situado em uma zona periférica, possibilita a medição milimétrica das librações — os movimentos de balanço da Lua —, dados essenciais para refinar teorias sobre a composição e o estado do núcleo fluido do satélite.

Além disso, a rede de espelhos na superfície lunar comprova que a órbita do satélite se afasta da Terra a uma taxa de 3,8 centímetros por ano. O estudo do refletor do Lunokhod 1 também visa solucionar o enigma da poeira cósmica, já que o acúmulo de partículas provenientes de micrometeoritos costuma reduzir a capacidade de reflexão de equipamentos ópticos antigos.

A metodologia de análise de eco de impulsos eletromagnéticos segue sendo aplicada em missões contemporâneas. O Telescópio Green Bank, da NSF, utilizou a técnica para monitorar a nave tripulada Orion durante a missão Artemis II, calculando a velocidade da cápsula com margem de erro inferior a 0,2 milímetros por segundo.

A permanência do robô de 1970 na mesma posição há 55 anos demonstra que certos materiais podem atuar como ferramentas de medição precisas muito além de sua vida útil original. A ausência de atmosfera e de agentes biológicos no solo de regolito transforma estruturas metálicas e pegadas em arquivos históricos imutáveis, permitindo que o antigo espelho continue a fornecer dados científicos relevantes.

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