Cinturão de sargassos no Oceano Atlântico atingiu a extensão de 8.800 quilômetros em 2025
Satélites dos EUA e pesquisadores da Florida Atlantic University registraram a formação de um cinturão de sargassos de 8.800 quilômetros no Atlântico em 2025. O fenômeno, impulsionado por nutrientes como nitrogênio e fósforo, atingiu 37,5 milhões de toneladas de algas em maio do ano anterior. A proliferação massiva, iniciada em 2011, ocorre quase anualmente e é influenciada por fatores terrestres e cheias do rio Amazonas
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Satélites dos Estados Unidos registraram a formação de uma extensa faixa marrom na superfície do Oceano Atlântico, fenômeno analisado em estudo publicado na revista *Harmful Algae*. A estrutura, denominada grande cinturão de sargassos do Atlântico, deixou de ser um elemento habitual da região para se tornar um sinal ambiental de larga escala, com extensões que atingiram cerca de 8.800 quilômetros em 2025 — distância que supera o dobro da largura do território continental norte-americano.
A magnitude do fenômeno foi evidenciada em maio do ano passado, quando foram detectadas 37,5 milhões de toneladas de algas flutuando entre o Golfo do México e a costa ocidental da África. Pesquisadores do Harbor Branch Oceanographic Institute, da Florida Atlantic University, examinaram quatro décadas de dados químicos, observações de campo e imagens orbitais. O levantamento indica que a proliferação massiva, identificada inicialmente em 2011, passou a ocorrer quase anualmente, com exceção apenas do ano de 2013.
Embora o sargasso pelágico seja reconhecido pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) como um habitat essencial para mais de 100 espécies, servindo de abrigo e alimento para tartarugas marinhas, peixes e invertebrados, o desequilíbrio em sua biomassa gera impactos negativos. Ao atingirem as zonas costeiras, as massas de algas entram em decomposição, liberando sulfeto de hidrogênio — um gás tóxico — e odores desagradáveis. Esse processo pode sufocar praias, comprometer recifes de coral, criar zonas com baixa oxigenação e prejudicar ecossistemas locais, elevando os custos de limpeza para regiões dependentes do turismo.
O crescimento acelerado dessas algas está vinculado à disponibilidade de fósforo e nitrogênio. Experimentos demonstram que a biomassa pode dobrar em 11 dias em águas ricas nesses compostos. Se anteriormente a expansão era atribuída a processos naturais, como o afloramento de águas profundas, análises recentes apontam a influência de fatores terrestres. Entre 1980 e 2020, houve um aumento de 55% no teor de nitrogênio nos tecidos do sargasso, enquanto a proporção entre nitrogênio e fósforo cresceu 50%.
As fontes desses nutrientes incluem depósitos atmosféricos, águas residuais e erosão agrícola. O rio Amazonas desempenha um papel central nesse ciclo: a proliferação ganha força durante as cheias, quando o rio libera grandes volumes de nutrientes no Atlântico, e recua nos períodos de seca. A partir daí, correntes como a do Golfo e a de Lazo transportam as massas para áreas sensíveis. No Golfo do México, episódios semelhantes ocorreram em 2004 e 2005, impulsionados pelos rios Atchafalaya e Mississippi. O impacto dessas acumulações já afetou infraestruturas críticas, como ocorreu em 1991, quando uma usina nuclear na Flórida precisou ser suspensa.
A expansão do cinturão de sargassos também traz implicações para o ciclo global do carbono, pois a decomposição da matéria orgânica libera metano e outros gases de efeito estufa. O cenário de mares mais aquecidos e o fluxo contínuo de poluentes terrestres indicam que a eutrofização, antes limitada ao litoral, agora redesenha áreas do mar aberto, demandando maior vigilância internacional e modelos de previsão aprimorados.