Ciência

Cometa interestelar com 11 bilhões de anos revela condições do universo primitivo

28 de Abril de 2026 às 15:20

O cometa interestelar 3I/ATLAS tem 11 bilhões de anos, segundo pesquisa da Universidade de Michigan e do observatório ALMA na Nature Astronomy. A análise identificou álcool interestelar e níveis elevados de deutério, apontando que o objeto surgiu em zonas de frio intenso da Via Láctea. A detecção ocorreu em julho do ano passado, e em dezembro o corpo celeste esteve mais próximo da Terra

O cometa 3I/ATLAS, o terceiro objeto interestelar confirmado pela ciência, revelou-se como um registro físico de condições cósmicas primitivas. Um estudo publicado na revista Nature Astronomy, na última quinta-feira (23), indica que o corpo celeste possui 11 bilhões de anos, superando em mais que o dobro a idade do Sistema Solar e funcionando como uma cápsula do tempo sobre os primeiros bilhões de anos após o Big Bang.

A análise conduzida por pesquisadores da Universidade de Michigan, com apoio do observatório ALMA, no Chile, identificou altas concentrações de deutério, o isótopo pesado do hidrogênio. Essa assinatura química evidencia que o cometa se originou em uma região de frio extremo e isolamento na Via Láctea, possivelmente antes da formação de sua estrela de origem e em um ambiente protegido do calor estelar, superando as baixas temperaturas encontradas no sistema solar terrestre.

O 3I/ATLAS integra o grupo de intrusos de outros sistemas estelares, ao lado do asteroide 1I/’Oumuamua, detectado em 2017, e do cometa 2I/Borisov, observado em 2019. A detecção de água rica em deutério e de "álcool interestelar" fornece dados sobre a organização da matéria nas fases iniciais do universo.

Identificado em julho do ano passado, o objeto foi monitorado globalmente por meio de esforços coordenados entre a NASA e a ESA. Durante sua passagem, o cometa cruzou a órbita de Marte e atingiu o ponto de maior proximidade com a Terra em dezembro.

Atualmente em trajetória de saída definitiva, o visitante agora exige o uso de telescópios de alta sensibilidade para ser acompanhado. A astrônoma Teresa Paneque-Carreno, coautora da pesquisa, ressalta que, embora o local exato de nascimento permaneça desconhecido, a existência do objeto confirma que informações sobre a formação planetária primordial circulam pelo espaço profundo. Esses dados permitem recalibrar teorias sobre a evolução das galáxias e fundamentam futuras missões de interceptação para estudar a história da Via Láctea sem a necessidade de sair do sistema solar.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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