Ciência

Consumo frequente de bebidas açucaradas está associado a alterações cerebrais e ao declínio da memória

06 de Maio de 2026 às 12:08

Estudo da Boston University, publicado na revista Alzheimer’s & Dementia, associou o consumo frequente de bebidas açucaradas à redução do volume cerebral e do hipocampo. A pesquisa com 4 mil adultos indicou que a ingestão desses produtos está ligada ao declínio da memória episódica

O consumo frequente de bebidas açucaradas, como refrigerantes, chás industrializados e bebidas esportivas, está associado a alterações estruturais no cérebro e ao declínio da memória episódica. A constatação é resultado de um estudo liderado por Matthew Pase, da Boston University School of Medicine, publicado em 5 de março de 2017 na revista *Alzheimer’s & Dementia*.

A pesquisa utilizou dados do Framingham Heart Study, projeto iniciado nos Estados Unidos em 1948, analisando cerca de 4 mil participantes das coortes Offspring e Third-Generation. O grupo estudado era composto por adultos que, no momento da avaliação, não possuíam diagnóstico de demência. Para chegar aos resultados, os cientistas cruzaram informações de consumo alimentar com testes neuropsicológicos padronizados e exames de ressonância magnética.

As evidências indicaram que indivíduos com maior ingestão de açúcar líquido apresentaram menor volume cerebral total, métrica utilizada para avaliar o envelhecimento do cérebro e a perda de tecido ao longo do tempo. Foi observada também a redução do volume do hipocampo, região fundamental para a formação de memórias e aprendizagem, que costuma ser afetada nos estágios iniciais da doença de Alzheimer. Na prática, esses participantes demonstraram um desempenho inferior em testes de memória episódica, que medem a capacidade de recordar eventos recentes.

A análise destaca que o açúcar em forma líquida é absorvido mais rapidamente pelo organismo do que em alimentos sólidos, gerando picos glicêmicos e respostas metabólicas intensas. Embora o estudo não tenha comprovado uma relação direta de causa e efeito, as alterações identificadas são compatíveis com processos de envelhecimento cerebral acelerado.

O trabalho também mencionou uma associação entre o consumo diário de bebidas diet e um risco maior de demência em um acompanhamento separado, embora os autores ressalvem que esse dado específico pode estar sujeito a fatores de confusão.

Embora a pesquisa não tenha investigado os mecanismos biológicos exatos, a literatura científica sugere que o consumo excessivo de açúcar pode provocar resistência à insulina, inflamação sistêmica e alterações vasculares, impactando o funcionamento neuronal.

Historicamente ligados a quadros de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, os hábitos alimentares agora são centralizados em investigações sobre a saúde cognitiva. Os achados reforçam que mudanças no estilo de vida podem influenciar a estrutura cerebral décadas antes do surgimento de sintomas clínicos, evidenciando que a dieta é uma das variáveis que compõem o processo de envelhecimento do cérebro.

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