Consumo moderado de televisão pode ajudar a reduzir o estresse após jornadas exaustivas
Estudo publicado na Journal of Community & Applied Social Psychology indica que o consumo moderado de televisão e telas reduz a exaustão psicológica após sobrecargas cognitivas. A pesquisa, com mais de 61 mil adultos e estudantes, aponta que o lazer passivo atua como recuperação mental diante de demandas domésticas
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O consumo moderado de televisão após jornadas exaustivas pode atuar como um mecanismo de recuperação psicológica, auxiliando na redução do estresse acumulado por obrigações diárias. A descoberta, detalhada na revista *Journal of Community & Applied Social Psychology*, contesta a premissa de que a exposição a telas seja prejudicial ao cérebro em todas as circunstâncias, sugerindo que atividades de lazer passivo permitem a diminuição da atividade cerebral após períodos de sobrecarga cognitiva e emocional.
A investigação foi coordenada pela psicóloga Soo Min Toh, da Universidade de Toronto Mississauga, e pelo pesquisador Xian Zhao, da Universidade de Ohio. O trabalho fundamenta-se na premissa de que o ambiente doméstico nem sempre é um local de descanso, especialmente quando há múltiplas demandas familiares.
Para validar a tese, os pesquisadores analisaram dados da *American Time Use Survey*, que envolveu mais de 61 mil adultos casados. O estudo cruzou o tempo dedicado à televisão com variáveis como a presença de filhos e os níveis de exaustão. Os dados revelaram que, embora lares com crianças pequenas apresentem índices de fadiga mais elevados, as pessoas que assistiam a mais televisão relatavam sentir-se menos exaustas. Toh observa que a dinâmica da casa reflete a quantidade de demandas enfrentadas pelo indivíduo, nem sempre funcionando como um espaço de recuperação.
A análise foi ampliada com estudantes universitários no Canadá, onde se avaliou a relação entre o ruído e o caos doméstico. Os resultados indicaram que o uso de videogames ou celulares reduzia a intensidade de emoções negativas, evidenciando um efeito amortecedor do tempo de tela diante das pressões do lar.
Apesar dos achados, os autores ressaltam que tais benefícios não validam o uso excessivo de dispositivos. A recomendação é que a exposição seja breve, funcionando como uma pausa estratégica para a recomposição dos recursos mentais e a proteção do bem-estar psicológico.