Cores inspiradas em animais venenosos nas pás de aerogeradores podem reduzir a colisão de aves
Estudo das universidades de Helsinque e Exeter indica que padrões biomiméticos com cores vibrantes nas pás de aerogeradores reduzem a colisão de aves. Testes com pardais mostraram que combinações cromáticas associadas a animais perigosos funcionam como sinais visuais dissuasores. A medida visa mitigar impactos ecológicos da energia eólica
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A aplicação de padrões biomiméticos nas pás de aerogeradores pode reduzir a colisão de aves em parques eólicos, propondo uma solução de baixo custo para mitigar os impactos ecológicos da transição energética. Um estudo publicado na revista *Behavioral Ecology* investigou como cores vibrantes e contrastantes, típicas de espécies venenosas na natureza, funcionam como sinais visuais dissuasores para evitar acidentes com as turbinas.
A pesquisa focou na dificuldade de detecção das pás brancas em alta velocidade. Para testar a eficácia de novos designs, pesquisadores da Universidade de Helsinque e da Universidade de Exeter utilizaram um sistema de tela sensível ao toque com pardais comuns (*Parus major*). Após um treinamento onde 22 das 32 aves iniciais aprenderam a tocar um ponto cinza para obter alimento, os animais foram expostos a quatro modelos de turbinas: uma totalmente branca, outra com duas faixas vermelhas, uma com uma única pá preta e a última com um padrão de faixas vermelhas, amarelas e pretas.
As imagens foram testadas tanto com as pás estáticas quanto em movimento e em diferentes velocidades. Os resultados indicaram que as aves demoraram mais para se aproximar ou evitaram a interação quando o modelo biomimético — que combina cores associadas a animais perigosos, como serpentes — estava presente. A tendência de evitar essas combinações cromáticas é, em grande parte, genética, ocorrendo mesmo sem experiência prévia dos animais.
Embora a pintura das pás seja apontada como uma estratégia promissora para aumentar a compatibilidade da energia eólica com a biodiversidade, a medida deve integrar um conjunto de ações. O estudo ressalta que a alteração visual não substitui a necessidade de posicionar turbinas longe de rotas migratórias ou a implementação de câmeras automatizadas que interrompam a rotação dos equipamentos ao detectar a aproximação de aves.