David Attenborough supera Charles Darwin como o cientista britânico com mais espécies nomeadas em sua honra
O Natural History Museum homenageou o centenário de Sir David Attenborough com a divulgação de que 53 espécies levam seu nome. O naturalista, com sete décadas de atuação na BBC, é o cientista britânico com maior número de espécies nomeadas em sua honra

O Natural History Museum, em South Kensington, Londres, realizou uma cerimônia institucional para homenagear Sir David Attenborough, que completou cem anos de vida em 8 de maio de 2026. Nascido em Isleworth, Londres, em 1926, o naturalista detém o maior registro de espécies vivas nomeadas em sua honra entre os cientistas britânicos, superando inclusive Charles Darwin, que recebeu 30 homenagens biológicas.
Um inventário oficial publicado pela curadoria do museu durante o evento revelou que 53 espécies carregam o sobrenome Attenborough. O grupo é composto por 22 animais vivos, 18 plantas, 11 fósseis e duas bactérias. Entre os destaques estão a planta carnívora *Nepenthes attenboroughii*, descrita nas Filipinas em 2007; o peixe abissal *Materpiscis attenboroughi*, primeiro vertebrado conhecido a dar à luz filhotes vivos; o sapo *Pristimantis attenboroughi*, localizado no Peru em 2017 a 3.500 metros de altitude; e a aranha-saltadora *Prethopalpus attenboroughi*, descrita na Austrália em 2018.
A trajetória profissional de Attenborough na BBC iniciou-se em 1952, aos 26 anos, com a apresentação de seu primeiro documentário, “Zoo Quest”, em 1954. Em 1979, dirigiu a produção de “Life on Earth”, obra assistida por mais de 500 milhões de pessoas. Com sete décadas de atuação ininterrupta na emissora, ele é o único documentarista a ter visitado profissionalmente os seis continentes habitados.
A celebração do centenário integra a agenda climática global, ocorrendo em um contexto onde o World Wildlife Fund aponta que 1 milhão de espécies enfrentam risco de extinção em 2026, enquanto a IUCN indica que 41% dos anfíbios e 38% dos répteis estão em risco crítico. Diante desse cenário, Attenborough afirma que a ciência comprova a ocorrência da sexta extinção em massa do planeta. Como medidas de mitigação, ele defende a criação de reservas marinhas em 30% dos oceanos até 2030 e a implementação de uma moratória contra a mineração nos fundos marinhos do Pacífico e do Ártico.
Em entrevista ao Guardian em abril de 2026, o naturalista pressionou governos e empresas privadas, argumentando que a indústria do petróleo deve viabilizar a transição energética antes que seja tarde e cumprir metas de redução de emissões alinhadas ao Acordo de Paris. A cobrança surge enquanto o Climate Action Tracker indica que petroleiras europeias atingiram apenas 60% de suas metas voluntárias para 2025. No setor, a Shell anunciou a meta de neutralidade em emissões diretas até 2050, enquanto Petrobras, Equinor e TotalEnergies investem em sistemas de captura e armazenamento de carbono (CCS).
Embora parte do discurso conservacionista de Attenborough seja vista como politicamente engajada, a cerimônia em Londres é interpretada como uma forma de exercer pressão sobre os líderes da COP31, programada para novembro em Belém. Apesar disso, houve questionamentos sobre a ausência de cientistas brasileiros no evento, dada a relevância da Amazônia no debate climático.
As comemorações do centenário seguem com a exibição do documentário inédito “Attenborough: a vida que nos resta”, pela BBC, o lançamento de selos comemorativos pelo Reino Unido em julho de 2026 e a entrega de uma medalha honorária pelo Royal Society of Arts em setembro.