Degelo no Ártico expõe esqueletos de marinheiros e revela precárias condições da caça às baleias
O degelo no arquipélago de Svalbard expôs 19 esqueletos de marinheiros europeus dos séculos XVII e XVIII. Análises indicaram que 18 indivíduos tiveram escorbuto, além de casos de raquitismo e desnutrição infantil. O estudo, publicado na PLOS One, aponta que o aquecimento do Ártico destrói esses arquivos arqueológicos
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F759%2Fe4b%2F129%2F759e4b1296ef464b24b18ac1fbeaf0c4.jpg)
O degelo do permafrost e o derretimento das geleiras no arquipélago de Svalbard estão expondo restos biológicos de marinheiros europeus, revelando a precariedade das condições de vida durante a primeira indústria de caça às baleias da Europa. O estudo, publicado na revista PLOS One, alerta que o aquecimento do Ártico e a erosão costeira estão destruindo arquivos arqueológicos que permaneceram preservados por séculos.
As evidências foram localizadas em Likneset, região onde homens foram enterrados entre os séculos XVII e XVIII. A atividade na área intensificou-se após 1596, quando o explorador holandês Willem Barentsz avistou Spitsbergen, transformando as águas locais em um ponto estratégico para a extração de gordura de baleia, insumo utilizado como lubrificante industrial e óleo para iluminação.
A análise, conduzida por Lise Loktu, do Instituto Norueguês de Pesquisa do Patrimônio Cultural, e Elin Therese Brødholt, do Hospital Universitário de Oslo, examinou 19 esqueletos masculinos, em sua maioria de jovens entre 20 e 25 anos. Os exames revelaram que 18 dos 19 indivíduos apresentavam indícios de escorbuto, doença metabólica causada pela deficiência de vitamina C que provoca fadiga, sangramento gengival e a reabertura de feridas.
Além da carência vitamínica, os ossos e dentes indicaram quadros de desnutrição severa na infância e, em ao menos um caso, raquitismo. O desgaste físico prematuro ficou registrado em estruturas como a coluna vertebral, esterno, clavículas, ombros e cotovelos.
Os dados indicam que os óbitos não foram causados por um evento traumático único, mas por um processo cumulativo de lesões repetitivas, doenças e estresse fisiológico. Para as pesquisadoras, os remanescentes humanos evidenciam o custo social e físico da exploração baleeira no período. Com a degradação do gelo e dos sedimentos, Svalbard perde relatos humanos irrepetíveis que estavam protegidos pelo congelamento.