Derretimento da Groenlândia pode intensificar a redução da circulação oceânica que regula o clima europeu
O derretimento da Groenlândia e o aquecimento atmosférico podem reduzir a Circulação Meridional de Retorno do Atlântico em 80%. Estudo da Science Advances indica que a corrente pode se recuperar até 2400 se as emissões de dióxido de carbono diminuírem
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O derretimento da Groenlândia atua como um fator crítico para a estabilidade climática da Europa, podendo intensificar a redução da Circulação Meridional de Retorno do Atlântico (AMOC). De acordo com estudo publicado na *Science Advances*, a entrada de água doce no Atlântico Norte diminui a salinidade do oceano, o que prejudica o afundamento de águas densas, processo fundamental para a manutenção dessa corrente, que transporta calor do equador para o norte e garante temperaturas amenas na Europa Ocidental.
As projeções indicam que o aquecimento atmosférico seria responsável por enfraquecer a AMOC em 60%, enquanto o aporte de água proveniente da Groenlândia somaria outros 20% de redução. Combinados, esses fatores podem levar a um enfraquecimento próximo de 80% da circulação. Apesar da magnitude do impacto, a simulação não aponta para um colapso repentino ou interrupção imediata da corrente.
Diferente de modelos anteriores que sugeriam a existência de um ponto de inflexão com mudanças bruscas e irreversíveis, a pesquisa atual apresenta o enfraquecimento como um processo severo, porém não permanente em escalas de tempo centenárias. Ainda assim, a redução da AMOC teria consequências concretas, como invernos mais rigorosos, alterações nos padrões de chuva, impactos na agricultura europeia e modificações nas monções do hemisfério sul.
O modelo sugere a possibilidade de recuperação da corrente por volta do ano 2400, sob a condição de que as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera sejam reduzidas em 1% ao ano a partir de 2250. Esse dado indica que a mitigação das emissões pode influenciar a trajetória de uma das principais correntes oceânicas do planeta.
Os autores ressaltam a necessidade de cautela, visto que os resultados derivam de um único modelo. Para a consolidação dos achados, são necessárias novas simulações com maior resolução oceânica e a inclusão do impacto do derretimento da Antártida. O estudo conclui que, embora a Groenlândia agrave a fragilidade da AMOC, a estabilidade do clima europeu permanece vinculada à redução da pressão sobre o sistema climático.