Derretimento do permafrost altera a cor dos rios na cordilheira Brooks Range, no Alasca
O derretimento do permafrost no Alasca expõe minerais que alteram a cor dos rios na cordilheira Brooks Range para tons alaranjados. Segundo estudo da revista Nature, a liberação de ferro e enxofre ocorre por drenagem ácida em áreas altas e por ação microbiana em regiões baixas. O processo eleva a concentração de metais nos cursos d'água e impacta a vida aquática
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O aquecimento acelerado do Ártico, que ocorre de duas a três vezes mais rápido que a média global, está provocando a mudança de cor dos rios na cordilheira Brooks Range, ao norte do Alasca. Um estudo publicado na revista Nature identificou que o derretimento do permafrost — solo ou rocha congelados por no mínimo dois anos — expõe minerais anteriormente soterrados, transformando leitos antes claros em águas turvas e alaranjadas.
Esse fenômeno ocorre por meio de dois processos distintos. Em áreas elevadas, a exposição da pirita ao contato com água e oxigênio gera a drenagem ácida. De acordo com o bioquímico Tim Lyons, da Universidade da Califórnia em Riverside, a decomposição desse mineral libera enxofre e ferro, resultando na formação de ácido sulfúrico, sulfatos e metais tóxicos. Quando o ferro interage com a água oxigenada, surgem partículas de óxido que alteram a coloração do rio.
Já em regiões baixas, a degradação do solo congelado expande os pântanos. Nesses ambientes com baixa disponibilidade de oxigênio, microrganismos processam o ferro, transformando-o em uma forma solúvel que migra para os cursos d'água. Roman Dial, professor emérito da Universidade do Pacífico, descreve esse mecanismo como uma respiração microbiana baseada em ferro.
A investigação constatou ainda a existência de um efeito retardado na poluição. O derretimento mais profundo da camada superficial do solo durante o verão retém parte do ferro, que é transportado para os rios apenas no ano seguinte, elevando a concentração de metais.
Essas alterações impactam a vida aquática ao cobrir o fundo dos rios e prejudicar espécies dependentes desses ecossistemas. Para o ecologista Paddy Sullivan, da Universidade do Alasca, a análise da temperatura do solo agora permite antecipar mudanças na qualidade da água. Embora a reversão do processo seja complexa, o mapeamento das zonas vulneráveis é fundamental para a preservação de habitats e a segurança de comunidades que utilizam esses rios para alimentação e manutenção de práticas culturais.