Descoberta de ovo fóssil de ancestral de mamíferos comprova que esses animais botavam ovos
A descoberta de um ovo fóssil de Lystrosaurus, datado de 250 milhões de anos, comprova que ancestrais de mamíferos eram ovíparos. O embrião foi identificado por tomografia de síncrotron em um material coletado na África do Sul. O estudo foi publicado na revista PLOS ONE em 9 de abril de 2026
A identificação do primeiro ovo fóssil de um ancestral de mamífero altera a compreensão sobre a reprodução dos sinapsídeos, grupo que deu origem a todos os mamíferos modernos, inclusive aos seres humanos. A descoberta comprova a hipótese de que a oviparidade era a condição original desses animais, substituindo inferências indiretas baseadas em anatomia pélvica por uma evidência direta.
O espécime pertence ao *Lystrosaurus*, um herbívoro robusto do Triássico Inicial que viveu há cerca de 250 milhões de anos. Esta espécie é central para a paleontologia por ter sido uma das poucas sobreviventes da extinção do Permiano-Triássico, evento que eliminou 90% das espécies marinhas e 70% das terrestres, permitindo que o animal dominasse ecossistemas na Índia, Antártida e África do Sul.
O fóssil foi localizado em 2008 por John Nyaphuli, preparador de fósseis, na fazenda Rheeboksfontein, na Província do Estado Livre, África do Sul. O material, consistindo em um nódulo rochoso de 73 mm de comprimento por 55 mm de largura, permaneceu guardado no National Museum de Bloemfontein por quase duas décadas até que a tecnologia permitisse a visualização de seu conteúdo.
A análise foi conduzida por uma equipe liderada pelo professor Julien Benoit, da University of the Witwatersrand, com o apoio do Dr. Vincent Fernandez, do European Synchrotron Radiation Facility (ESRF), em Grenoble, França. Utilizando a tomografia de síncrotron, que emprega os raios X mais potentes do mundo, os pesquisadores revelaram um embrião preservado dentro de um crânio de apenas 34,5 mm. A natureza embrionária do achado, e não de um filhote recém-nascido, foi ratificada por análises histológicas realizadas pela professora Jennifer Botha.
Atualmente, a maioria dos mamíferos é vivípara, com exceção dos monotremados, como a equidna e o ornitorrinco, que ainda botam ovos. O achado preenche uma lacuna sobre a transição gradual para a gestação interna, processo que ocorreu ao longo de milhões de anos e cujo cronograma exato ainda é um mistério da biologia evolutiva.
O estudo foi publicado em 9 de abril de 2026 na revista PLOS ONE, com revisão do especialista Jörg Fröbisch, do Museum für Naturkunde de Berlim. A pesquisa contou com financiamento do governo da África do Sul, via National Research Foundation e Department of Science, Technology and Innovation, além do suporte do Centro de Excelência em Paleociências.