Descoberta no fundo do mar: nutrientes dissolvidos em águas profundas redefinem os oceanos profundos
Um estudo da Universidade do Sul da Dinamarca revelou que os oceanos profundos não são tão pobres em nutrientes como se imaginava anteriormente. A pesquisa identificou uma fonte orgânica dissolvida até então desconhecida, liberada pelas partículas de neve marinha ao atingir profundidades entre 2 e 6 quilômetros. Isso afeta o ciclo global do carbono e pode influenciar processos climáticos
O que até agora se sabia sobre os oceanos profundos era incompleto, segundo um estudo recente da Universidade do Sul da Dinamarca. Conforme essa pesquisa, essas regiões não são tão pobres em nutrientes como se imaginava anteriormente. A equipe de cientistas liderada pelo biólogo Peter Stief identificou que os micróbios têm acesso a uma fonte orgânica dissolvida até então desconhecida. Isso ocorre graças às partículas conhecidas como neve marinha, compostas por diatomáceas - algas microscópicas comuns nos oceanos. Esses materiais afundam continuamente nas águas profundas e liberam carbono e nitrogênio dissolvidos quando atingem profundidades entre 2 e 6 quilômetros. Isso ocorre devido à pressão hidrostática extrema presente nesses locais, que funciona como um espremedor extraindo compostos orgânicos das partículas. De acordo com os cientistas, até metade do carbono original dessas partículas pode ser liberado durante a descida. Grande parte desse material consiste em proteínas e carboidratos facilmente consumidos pelos micróbios presentes na água ao redor. A liberação precoce de carbono tem implicações diretas no ciclo global, pois isso significa que menos carbono chega a se acumular nos sedimentos. Em vez disso, ele permanece dissolvido nas águas profundas por centenas ou até milhares de anos antes de retornar gradualmente à superfície e influenciar processos climáticos. Para entender melhor esse mecanismo, os cientistas planejam realizar uma expedição ao Ártico com o navio alemão Polarstern. Eles esperam confirmar em campo as observações feitas no laboratório e ampliar a compreensão sobre como funcionam os oceanos profundos. Além disso, essa pesquisa sugere que a matéria orgânica não chega intacta ao fundo do mar como se imaginava. Parte significativa dela já foi transformada em nutrientes disponíveis antes de alcançar os sedimentos. Isso tem implicações importantes para o entendimento dos processos climáticos e pode influenciar a formação de recursos naturais, como petróleo e gás. O estudo também destaca que entender esse mecanismo é essencial para melhorar modelos climáticos, pois a quantidade de carbono armazenado nos oceanos e o tempo de permanência neles são fatores determinantes nesses cálculos.