Detecção de açúcar em nuvem de poeira estelar reforça hipótese de compostos orgânicos no universo
Pesquisadores detectaram o açúcar eritrulose na nuvem cósmica G+0.693-0.027, a quase 27 anos-luz da Terra. O estudo, publicado na Nature Astronomy, identificou a molécula via radiotelescópios em temperaturas próximas a -250°C. O composto é fundamental para a estrutura do RNA
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A detecção de eritrulose, um açúcar simples composto por quatro átomos de carbono, em uma nuvem de poeira e gás a quase 27 anos-luz de distância, reforça a hipótese de que compostos orgânicos essenciais para a vida sejam comuns no universo. O achado ocorreu na região cósmica denominada G+0.693-0.027, situada próxima ao centro da Via Láctea, e foi detalhado em estudo publicado nesta segunda-feira (13) pela revista Nature Astronomy.
A identificação da molécula, que também é encontrada naturalmente em frutas como framboesas, foi possível graças ao uso de radiotelescópios que captaram a assinatura atômica do composto na poeira estelar. As observações indicam que a eritrulose é ao menos oito vezes mais abundante do que açúcares análogos de três carbonos, os quais não foram detectados mesmo com equipamentos de alta sensibilidade.
Formação e origem interestelar
A eritrulose se origina a partir de reações químicas entre álcoois e aldeídos em temperaturas extremas, próximas a -250°C. Para Izaskun Jiménez-Serra, pesquisador principal do estudo, a detecção deste composto no espaço interestelar demonstra que esses açúcares possuem uma distribuição mais ampla do que se imaginava anteriormente.
Essa descoberta oferece uma alternativa para a lacuna existente sobre a origem dos monossacarídeos na Terra primitiva. Experimentos laboratoriais que simulam as condições do planeta antes do surgimento da vida não conseguem produzir concentrações de açúcar suficientes para justificar a abundância encontrada atualmente no globo.
Implicações para a vida na Terra
A presença de açúcares no espaço sustenta a teoria de que a vida terrestre possa ter sido impulsionada por açúcares extraterrestres. O mecanismo sugere que moléculas simples teriam sido produzidas por reações químicas de poeira estelar e, posteriormente, transportadas para a Terra via colisão de asteroides e cometas, especialmente durante o período conhecido como Grande Bombardeio Tardio, ou atraídas pela gravidade do planeta.
A relevância desses monossacarídeos reside no fato de serem fundamentais para a estruturação do RNA, considerado o primeiro material genético existente, além de atuarem como reserva de energia.
De acordo com Jiménez-Serra, esse material interestelar pode ter alimentado a formação de sopas pré-bióticas, permitindo a síntese das primeiras biomoléculas. Esse cenário amplia a probabilidade de que a vida tenha se desenvolvido em outros mundos seguindo processos semelhantes aos ocorridos na Terra.