Ciência

Detecção de atmosfera em asteroide além de Netuno desafia previsões científicas sobre corpos celestes menores

05 de Maio de 2026 às 15:10

Astrônomos identificaram uma atmosfera no asteroide (612533) 2002 XV 93, além de Netuno, por meio de uma ocultação estelar em 10 de janeiro de 2024. O estudo, publicado na Nature Astronomy, indica que o objeto de 500 quilômetros de diâmetro pode ter liberado gases por atividade geológica ou impactos

A detecção de uma atmosfera tênue no asteroide (612533) 2002 XV 93, localizado além de Netuno, altera a compreensão científica sobre a atividade de corpos celestes no Sistema Solar exterior. Com apenas 500 quilômetros de diâmetro, o objeto desafia as previsões teóricas, já que sua baixa gravidade deveria provocar a dissipação de qualquer camada gasosa em menos de mil anos.

A descoberta foi viabilizada por um método de observação indireta ocorrido em 10 de janeiro de 2024, quando o asteroide realizou uma ocultação estelar, bloqueando a visão de uma estrela distante a partir da Terra. A análise da diminuição do brilho da estrela durante o evento permitiu a identificação do gás. O estudo, publicado na revista Nature Astronomy, resultou de um esforço conjunto entre astrônomos amadores e profissionais de uma coalizão de observatórios no Japão, incluindo o Observatório Astronômico de Ishigakijima (NAOJ).

A presença desse ar espacial indica que o corpo celeste passou por transformações recentes. Como o Telescópio James Webb não identificou gelo exposto na superfície que pudesse evaporar, a investigação se volta para outras origens. Uma das hipóteses é a atividade geológica interna, como terremotos que teriam liberado substâncias voláteis do subsolo. Outra possibilidade é que um impacto recente com um cometa ou outro corpo menor tenha gerado a nuvem de detritos gasosos.

Para Ko Arimatsu, coordenador da pesquisa, o achado comprova que corpos transnetunianos podem sofrer alterações em escalas de tempo extremamente curtas. O fenômeno estabelece um novo precedente comparativo: enquanto Plutão, com 2.377 quilômetros, era a principal referência de objeto com atmosfera na região, o 2002 XV 93 demonstra que corpos significativamente menores também podem apresentar tais características. Essa evidência sugere que milhares de outros objetos no Cinturão de Kuiper podem abrigar dinâmicas semelhantes, afastando a imagem de que esses mundos sejam apenas rochas inertes.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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