Ciência

Dispositivo que produz defensivo agrícola com água, sal e eletricidade vence Prêmio Jovens Cientistas

10 de Maio de 2026 às 15:16

Bernardo Souza Cordeiro venceu a categoria Ensino Médio do 30º Prêmio Jovens Cientistas com um dispositivo que produz ácido hipocloroso para uso agrícola através de água, sal e eletricidade. O projeto, desenvolvido no Coltec-UFMG, recebeu premiações em dinheiro, bolsas e computadores

Dispositivo que produz defensivo agrícola com água, sal e eletricidade vence Prêmio Jovens Cientistas
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Um dispositivo capaz de produzir um defensivo agrícola agroecológico utilizando apenas água, sal e eletricidade venceu a categoria Ensino Médio da 30ª edição do Prêmio Jovens Cientistas. Desenvolvido por Bernardo Souza Cordeiro, de 19 anos, o projeto foca na redução da dependência de agrotóxicos industriais, especialmente para pequenos produtores rurais que enfrentam barreiras financeiras para acessar tecnologias agrícolas sofisticadas.

O sistema opera por meio de um processo eletroquímico: ao aplicar corrente elétrica em uma solução de água e sal, ocorre a formação de compostos oxidantes, resultando na produção de ácido hipocloroso. Essa substância possui propriedades antimicrobianas e é capaz de atuar contra fungos, bactérias e outros microrganismos. Embora o ácido hipocloroso já seja utilizado em sanitização de ambientes hospitalares, superfícies e água, a inovação do projeto consistiu em adaptar esse princípio químico para criar uma solução portátil e de baixo custo voltada à agricultura familiar.

Bernardo desenvolveu a tecnologia enquanto estudava Eletrônica no Colégio Técnico da Universidade Federal de Minas Gerais (Coltec-UFMG), sob a orientação do professor Adriano Borges. O trabalho surgiu no contexto de um projeto de agroecologia que envolvia a Internet das Coisas (IoT), buscando alternativas tecnológicas que não elevassem os custos operacionais do campo.

A premiação, organizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com a Fundação Roberto Marinho, visa incentivar a produção científica jovem com impacto socioambiental. Como resultado da vitória, os premiados receberam computadores, bolsas e valores em dinheiro entre R$ 12 mil e R$ 40 mil.

Apesar do potencial do agente antimicrobiano, a tecnologia é classificada como uma inovação experimental. Para que haja uma adoção ampla no mercado agrícola, o sistema requer validações técnicas, testes específicos e regulamentações, não representando, no momento, uma substituição imediata aos defensivos convencionais.

Além do reconhecimento científico, o estudante, que ingressou no curso de Engenharia de Controle e Automação da UFMG via ENEM, tornou-se o primeiro membro de sua família a entrar em uma universidade federal. O caso reflete a tendência de crescimento de pesquisas aplicadas em instituições públicas de ensino médio técnico, conectando a eletrônica e a química a problemas reais da economia brasileira.

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