Empresa americana desenvolve tecnologias de engenharia genética para a desextinção funcional de espécies animais
A Colossal Biosciences desenvolve engenharia genética para a desextinção funcional de espécies e a preservação da biodiversidade. A empresa utiliza clonagem e modificação de DNA, além de investir em úteros artificiais, com aporte superior a 620 milhões de dólares
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A empresa de biotecnologia americana Colossal Biosciences trabalha no desenvolvimento de tecnologias de engenharia genética para a "desextinção funcional" de espécies como o mamute lanoso, o dodo e o tilacino (lobo da Tasmânia), além de aves gigantes. O objetivo central, segundo a diretora científica Beth Shapiro, é criar ferramentas que permitam não apenas recuperar características de animais extintos, mas, principalmente, proteger a biodiversidade e evitar que espécies atuais desapareçam.
A abordagem da Colossal foca na criação de versões híbridas ou modificadas. No caso dos lobos gigantes, a empresa busca replicar fenótipos fundamentais e componentes que contribuam para o ecossistema, em vez de tentar uma cópia genética 100% idêntica, o que seria inviável dado que o DNA de espécimes de diferentes épocas varia significativamente. Além disso, a empresa argumenta que animais geneticamente idênticos ao passado não sobreviveriam nos habitats atuais.
Essas mesmas tecnologias de reprodução assistida e modificação de DNA são aplicadas à conservação de espécies vivas. Um exemplo é o uso de clonagem sanguínea não invasiva para aumentar a diversidade genética do lobo vermelho, espécie endêmica em perigo na América do Norte. A empresa também prevê a aplicação dessas ferramentas para tornar os mieleros hawaianos resistentes à malária aví ou adaptar corais a águas mais ácidas e quentes.
No campo ecológico, a reintrodução de grandes herbívoros, como o mamute, é vista como uma estratégia de longo prazo para regenerar ecossistemas. A presença desses animais poderia ajudar a manter o permafrost congelado, criando um mosaico ambiental que favoreceria a sobrevivência de diversas plantas e outros herbívoros.
Para viabilizar esses projetos sem depender de fêmeas de outras espécies, a Colossal investe no desenvolvimento de ovos e úteros artificiais. Embora a empresa não trabalhe com seres humanos, Shapiro afirma que tais avanços terão aplicações na medicina humana, especialmente no suporte a bebês prematuros e na melhoria do entendimento sobre a placenta e o desenvolvimento embrionário.
A operação da companhia é sustentada por um aporte superior a 620 milhões de dólares, provenientes de investidores que incluem figuras como Paris Hilton, Chris Hemsworth, Tom Brady, Peter Jackson e George R. R. Martin.
A trajetória da empresa é marcada por tensões com a comunidade científica. Enquanto pesquisadores acadêmicos criticam a divulgação de resultados em campanhas antes da revisão por pares e questionam a viabilidade real da desextinção, a Colossal justifica a agilidade nos anúncios como uma necessidade do setor privado para atrair o público e captar recursos. Shapiro, que deixou a academia para liderar o laboratório na empresa, defende a assunção de riscos para acelerar a criação de ferramentas contra a extinção.
Quanto à possibilidade de recriar dinossauros, como em obras de ficção, a cientista descarta a viabilidade técnica, explicando que o DNA mais antigo recuperado tem cerca de 1 milhão de anos, enquanto os dinossauros foram extintos há 66 milhões de anos, impossibilitando a recuperação de material genético. Sobre a criação de parques de conservação, a empresa ainda não definiu um modelo, considerando desde exposições tecnológicas até a exibição de animais, dependendo da evolução dos projetos.