Empresa americana inicia testes clínicos de tratamento para regenerar células do nervo óptico humano
A Life Biosciences iniciou testes clínicos de segurança do tratamento ER-100 em 18 adultos com doenças do nervo óptico. A terapia utiliza um vírus modificado para reprogramar neurônios e regenerar células oculares via administração de doxiciclina por oito semanas
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A empresa americana Life Biosciences iniciou a fase de testes clínicos de segurança do ER-100, tratamento administrado ao primeiro paciente com o objetivo de regenerar células do nervo óptico danificadas por patologias como a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterial (NAION) e o glaucoma. A tecnologia utiliza um vírus modificado para introduzir genes personalizados que ativam o rejuvenescimento de neurônios, baseando-se na reprogramação celular para reverter alterações epigenéticas ligadas ao envelhecimento.
O método fundamenta-se nos fatores de Yamanaka, descobertas do Nobel Shinya Yamanaka que provaram a possibilidade de transformar células adultas em estados semelhantes a células-tronco. No caso do ER-100, a abordagem foi adaptada para regenerar o tecido ocular, evitando que as células passem por transformações descontroladas. David Sinclair, professor de genética da Faculdade de Medicina de Harvard e cofundador da companhia, argumenta que o envelhecimento decorre da perda de informação epigenética, e não de danos irreversíveis, tornando este ensaio a primeira chance de testar se a restauração desses dados pode mitigar doenças humanas.
O estudo atual, que contará com a participação de 18 adultos afetados por doenças do nervo óptico ao longo do próximo ano, foca na mensuração de efeitos colaterais e na segurança do procedimento, após a terapia ter apresentado resultados positivos em primatas não humanos. Para mitigar riscos inerentes à reprogramação celular — que, segundo o neurobiólogo Pete Williams, do Centre for Eye Research Australia, poderia prejudicar a área caso ocorresse um desfecho catastrófico —, a Life Biosciences implementou um sistema de controle.
O ER-100 foi projetado para que a ativação dos genes dependa da administração de doxiciclina, um antibiótico que atua como interruptor. Conforme detalhado pela diretora científica Sharon Rosenzweig-Lipson, a ativação deve durar oito semanas para equilibrar a eficácia do tratamento com a segurança do paciente. Embora não se trate de uma cura geral para o envelhecimento, o investidor Karl Pfleger observa que o sucesso da iniciativa pode reverter a cegueira em casos específicos e impulsionar a medicina regenerativa.