Ciência

Empresa holandesa desenvolve pó mineral que captura mais dióxido de carbono do que emite na produção

06 de Julho de 2026 às 06:26

A holandesa Paebbl criou o Rebond 300, um pó mineral que captura mais CO₂ do que o emitido em sua fabricação. O material substitui até 30% do cimento Portland em concretos, reduzindo em até 40% o carbono incorporado nas estruturas. O produto já foi utilizado na construção de uma laje industrial de 420 metros quadrados na Alemanha

Empresa holandesa desenvolve pó mineral que captura mais dióxido de carbono do que emite na produção
Paebbl

A empresa holandesa Paebbl desenvolveu o Rebond 300, um pó mineral capaz de capturar mais dióxido de carbono (CO₂) do que o volume emitido durante sua produção. O material atua como um suplemento de ligação (SCM) para ser misturado ao concreto convencional, transformando estruturas físicas em depósitos estáveis de carbono.

O diferencial técnico do produto reside na mineralização acelerada, processo que replica industrialmente a reação geológica de milênios, na qual o CO₂ interage com minerais para se tornar sólido. Dessa forma, o gás deixa de ser um resíduo atmosférico para integrar a composição de um pó de cor cinza clara. A pegada de carbono verificada do Rebond 300 é de -149 kg de CO₂ por tonelada, posicionando-o como uma ferramenta de remoção ativa de carbono, e não apenas como um aditivo de redução de emissões.

Projetado para a integração imediata em processos de misturas prontas e concreto pré-fabricado, o material pode substituir até 30% do cimento Portland sem a necessidade de novos equipamentos nas fábricas ou por parte dos contratistas. A Paebbl estima que a aplicação do suplemento em proporções padrão seja capaz de reduzir em até 40% o carbono incorporado em uma estrutura, permitindo o armazenamento do gás por escalas geológicas em fundações, solos industriais e edifícios.

Diferente de substitutos como a escória ou cinzas volantes, que escurecem o concreto, o Rebond 300 apresenta um acabamento quase branco. Essa característica viabiliza seu uso em peças arquitetônicas expostas, infraestruturas urbanas e fachadas. Atualmente, a empresa colabora com grupos europeus, como Heijmans e Holcim, e já implementou a construção de uma laje industrial de 420 metros quadrados na Alemanha, que atendeu às especificações de resistência exigidas.

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