Ciência

Equipe científica argentina descobre biodiversidade inesperada em oceano profundo na plataforma continental

06 de Abril de 2026 às 12:17

A expedição científica argentina ao oceano profundo revelou uma biodiversidade inesperada. A equipe registrou visualmente a medusa Stygiomedusa e identificou pelo menos 28 espécies novas para o conhecimento científico, incluindo vermes, corais e ouriços. Além disso, foi detectado um recife de coral gigante em uma área extensa da plataforma continental argentina

Equipe científica argentina descobre biodiversidade inesperada em oceano profundo na plataforma continental
ROV SuBastian/Schmidt Ocean Institute

A expedição científica no oceano profundo da Argentina revelou uma biodiversidade inesperada. A equipe liderada pela Universidade de Buenos Aires e pelo CONICET, a bordo do R/V Falkor, percorreu toda a plataforma continental argentina desde as águas próximas à cidade de Buenos Aires até aquelas perto da Terra do Fogo.

A descoberta mais notável foi o registro visual da medusa gigante Stygiomedusa. Com um corpo que pode alcançar um metro de diâmetro e braços longos, essa criatura é capaz de capturar suas presas sem tentáculos urticantes. O robô submarino ROV SuBastian filmou a "medusa fantasma gigante" em uma profundidade de 250 metros.

Além disso, os pesquisadores identificaram pelo menos 28 espécies que podem ser novas para o conhecimento científico. Essa diversidade inclui vermes, corais, ouriços e anêmonas. Cada mergulho revelou comunidades complexas em áreas onde havia apenas dados anteriores.

Um dos principais achados foi a existência de um recife de coral gigante conhecido como Bathelia candida. Considerado um indicador de ecossistemas marinhos vulneráveis, esse complexo ocupa uma área semelhante à do Vaticano e sua distribuição se estende 600 quilômetros mais ao sul do que se documentou anteriormente.

A equipe também observou jardins de coral Paragorgia arborea a 3.000 metros de profundidade na fossa das Malvinas, além de densos agregados de invertebrados associados a estruturas rochosas. A Dra. Maria Emilia Bravo destacou o nível surpreendente da biodiversidade encontrada no oceano profundo argentino.

A missão também teve como objetivo localizar fontes de metano, ambientes onde microorganismos transformam compostos químicos em energia e sustentam comunidades de ostras e outros organismos. A equipe identificou uma emissão ativa de aproximadamente um quilômetro quadrado.

Durante os mergulhos, foi registrado o primeiro "whale fall" profundo documentado nas águas argentinas a 3.890 metros. Esses restos de baleias geram verdadeiros oásis biológicos por décadas e evidenciam a importância desses habitats remotos para a vida marinha.

Infelizmente, as câmeras também detectaram resíduos como redes e plásticos no local, destacando a fragilidade dos ecossistemas marinhos diante da atividade humana.

Com informações de El Confidencial

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