Ciência

Estação espacial chinesa recebe embriões de peixe-zebra e modelos humanos para pesquisas biomédicas

23 de Maio de 2026 às 06:13

A nave Tianzhou-10 levou 6,2 toneladas de suprimentos, 67 equipamentos e 41 experimentos à estação Tiangong em 11 de maio. A missão inclui o estudo de embriões de peixe-zebra, células de camundongos e modelos de embriões humanos artificiais para analisar a perda óssea e a função cardiovascular em microgravidade

Estação espacial chinesa recebe embriões de peixe-zebra e modelos humanos para pesquisas biomédicas
A China enviou embriões de peixe-zebra à Tiangong para estudar a perda óssea em microgravidade. Resultados podem beneficiar a medicina na Terra.

A estação espacial chinesa Tiangong consolidou-se como um centro de pesquisas biomédicas com a chegada da nave cargueira Tianzhou-10. Lançada em 11 de maio do Centro Espacial de Wenchang por meio do foguete Longa Marcha-7, a missão transportou 6,2 toneladas de suprimentos, incluindo 67 equipamentos e 41 experimentos destinados a investigar o comportamento do corpo humano em ambiente de microgravidade.

O foco central das novas atividades é a análise da perda óssea, um dos maiores obstáculos para missões espaciais prolongadas. Em órbita, a ausência de carga mecânica sobre o esqueleto provoca a reabsorção de massa óssea em um ritmo acelerado, podendo atingir 1,5% ao mês — processo análogo à osteoporose terrestre, mas significativamente mais rápido, o que torna viagens tripuladas a Marte biologicamente complexas.

Para decifrar esse mecanismo, a China enviou embriões de peixe-zebra, tanto normais quanto geneticamente modificados, além de células ósseas de camundongos. O peixe-zebra é utilizado como organismo modelo devido à similaridade de 70% de seu genoma com o humano e à transparência de seus embriões, que permite a observação do desenvolvimento de órgãos em tempo real. Enquanto a estação já havia recebido peixes-zebra adultos em 2024, no "Aquário Tiangong", a introdução de embriões possibilita estudar a formação dos tecidos e o comportamento de proteínas de proteção óssea desde as fases iniciais do desenvolvimento.

A complementação com células de camundongos fornece dados sobre o metabolismo ósseo em mamíferos. A expectativa é que a identificação das proteínas que deixam de atuar na ausência de gravidade resulte em tratamentos para a osteoporose na Terra. Paralelamente, o uso do peixe-zebra para estudar a remodelação cardíaca visa mitigar a disfunção cardiovascular observada em astronautas, com potencial aplicação no tratamento de insuficiência cardíaca e outras patologias circulatórias.

A missão Tianzhou-10 também marca a primeira vez que modelos de embriões humanos artificiais são cultivados em órbita. Coordenado por Yu Leqian, do Instituto de Zoologia da Academia Chinesa de Ciências, o experimento utiliza estruturas derivadas de células-tronco que simulam o desenvolvimento humano entre o 14º e o 21º dia após a fecundação, sem se tratar de embriões fertilizados. As amostras, instaladas pelos taikonautas no módulo experimental, permanecerão cinco dias no espaço antes de serem congeladas e devolvidas para análise comparativa com amostras idênticas mantidas em laboratórios terrestres.

Esses estudos buscam compreender como a radiação e a microgravidade impactam os processos reprodutivos, dado essencial para planos de habitação espacial prolongada. Desde 2023, a Tiangong já recebeu 53 projetos científicos, de um total de 387 propostas. A China planeja expandir a operação da estação em 2026 com duas tripulações, prevendo que um taikonauta permaneça em órbita por mais de um ano, enquanto mantém a meta de retornar à Lua até 2030.

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