Ciência

Estados Unidos desclassificam documentos e vídeos sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados

16 de Julho de 2026 às 06:31

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos divulgou, em 10 de julho de 2026, o quarto conjunto de documentos sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados, composto por 14 textos, 19 vídeos, três fotos e quatro áudios. O material abrange registros entre 1948 e 2020, incluindo a transcrição da Conferência de Los Álamos e dados de projetos como Signo e Blue Book. O conteúdo detalha avistamentos em instalações nucleares, incursões em espaços aéreos e análises de sensores militares e da NASA

Estados Unidos desclassificam documentos e vídeos sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados
Touch Of Light/CC

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos tornou público, neste 10 de julho de 2026, o quarto conjunto de documentos relativos aos Fenômenos Anômalos Não Identificados (FANI). O material desclassificado compreende 14 documentos datados entre 1948 e 2020, 19 vídeos de sensores militares, três fotografias da NASA e quatro gravações de áudio da agência espacial.

Registros históricos e a Conferência de Los Álamos

Entre os arquivos, destaca-se a transcrição integral da Conferência de Los Álamos, realizada em fevereiro de 1949. O evento foi organizado por Edward Teller, físico teórico central no Projeto Manhattan e fundador do Laboratório Nacional Lawrence Livermore. O encontro reuniu representantes do FBI, do Exército, da Comissão de Energia Atômica, da Universidade do Novo México e da Universidade da Califórnia, incluindo o Nobel de Física de 1995, Fred Reines.

O foco da conferência foram os relatos de objetos brilhantes de cor verde avistados próximos a instalações atômicas sensíveis. Um dos incidentes, ocorrido no Starvation Peak, foi descrito por Lincoln LaPaz como um fenômeno de cor verde-amarelada, com trajetória quase horizontal e duração de dois segundos, diferenciando-se de quedas comuns de meteoritos. Apesar dos cálculos de Teller e das discussões do grupo, a reunião foi encerrada pelo diretor do laboratório, Norris Bradbury, sem um consenso definitivo, admitindo que o silêncio e as trajetórias horizontais dos objetos permaneciam sem explicação.

Evolução da análise militar e científica

Os documentos traçam a transição de uma preocupação puramente militar, típica do início da Guerra Fria, para uma abordagem científica formal. Esse processo é evidenciado pelos registros dos projetos Signo e Blue Book:

  • Projeto Signo: Relatório de progresso detalhando cem avistamentos ocorridos entre 1947 e 1948.
  • Projeto Blue Book: Documentação de revisões científicas realizadas entre 1966 e 1967, com a recomendação de que a Força Aérea envolvesse grupos científicos universitários nas investigações.

Ainda sobre o período inicial, um estudo de inteligência de 1948, classificado como "alto segredo", apresenta fotografias da ala voadora Horten. O protótipo alemão, que atingiu 4.328 metros de altitude em 1938, é apontado como a explicação convencional para os primeiros avistamentos de discos voadores.

Incidentes em instalações e espaços aéreos

A série de publicações detalha invasões de espaços aéreos controlados e incidentes em áreas de segurança nuclear. O caso de maior relevância na era moderna é o incidente de Pantex, em 2015. O radar de vigilância da usina detectou um objeto desconhecido que foi rastreado em direção ao norte. Agentes de segurança, que monitoraram o objeto com câmeras por um período de três a cinco minutos a uma distância de 30 a 60 metros do solo, relataram a ausência de som, a inexistência de sistema de propulsão visível e a capacidade do objeto de alterar a direção e aumentar a velocidade. As evidências foram encaminhadas ao FBI.

Outros registros operacionais da Marinha incluem:
* Caso PR106 (2020): Objeto metálico, de tamanho reduzido e parte inferior refletora, movendo-se em direção constante no leste dos EUA.
* Caso PR112 (2019): Objeto com características de voo inéditas para observadores com 28 anos de experiência na Marinha e Força Aérea, também no leste dos EUA.
* Caso PR116 (Oceano Atlântico): Objeto escuro, entre 3,6 e 4,5 metros de altura, com aparência de balão deformado e movendo-se conforme o vento.

Análises de sensores e dados espaciais

O material audiovisual inclui vídeos de sensores militares que mostram objetos movendo-se em formação estreita e outro registro onde um objeto misterioso realiza uma mudança brusca de 90 graus em seu movimento. O Departamento de Defesa esclareceu que a forma estrelada observada em um dos vídeos é um artefato óptico (padrão de difração da câmera) e não a forma real do objeto.

No âmbito espacial, a NASA registrou:
* Missão Columbia (1996): Imagens de um objeto não identificado em órbita terrestre baixa, com comportamento de rotação compatível com detritos espaciais. Estima-se que existam 40 mil fragmentos de lixo espacial com mais de 10 centímetros orbitando a Terra.
* Missões Apolo 14 e 17: Relatos de flashes de luz, atualmente identificados como um efeito biológico provocado por raios cósmicos de alta energia que impactam a retina do olho humano.

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