Estudantes da Universidade de Chicago descobrem a estrela quimicamente mais primitiva já registrada
Estudantes da Universidade de Chicago identificaram a estrela SDSS J0715-7334, a mais primitiva já registrada. O astro, localizado a 80 mil anos-luz da Terra, possui metade da concentração de elementos pesados do recorde anterior. A descoberta foi publicada na revista Nature Astronomy em 3 de abril de 2026
Um grupo de dez estudantes de graduação da Universidade de Chicago identificou a estrela quimicamente mais primitiva já registrada na astronomia. O astro, batizado de SDSS J0715-7334, foi localizado através da análise de dados do Sloan Digital Sky Survey, um banco de dados público com 25 anos de operação e milhões de objetos catalogados.
A descoberta ocorreu durante a disciplina “Curso de Campo em Astrofísica”, ministrada pelo professor Alex Ji, com suporte dos assistentes de pós-graduação Pierre Thibodeaux e Hillary Andales. A característica extraordinária da SDSS J0715-7334 reside em sua composição: ela possui metade da quantidade de elementos pesados — chamados de metais pelos astrônomos — do recorde anterior. Como as primeiras estrelas, formadas logo após o Big Bang há 13,7 bilhões de anos, eram compostas apenas de hidrogênio e hélio, a baixa concentração de metais indica que este astro está muito próximo da composição original do universo.
Localizada a 80 mil anos-luz da Terra, a estrela é classificada como uma "imigrante cósmica". Com base em dados da missão Gaia, da Agência Espacial Europeia, a equipe determinou que a SDSS J0715-7334 não nasceu na Via Láctea, mas provavelmente na Grande Nuvem de Magalhães ou em regiões próximas, sendo posteriormente atraída pela gravidade da nossa galáxia.
O achado oferece respostas a um dilema fundamental da astrofísica sobre a transição de estrelas gigantescas para astros menores e mais duráveis, como o Sol. A análise da composição da SDSS J0715-7334 reforça a hipótese de que a poeira cósmica já existia nos primórdios do universo. Segundo Pierre Thibodeaux, a presença dessa poeira fragmentava as nuvens de gás em aglomerados menores, permitindo a formação de estrelas pequenas em vez de gigantes.
O professor Alex Ji destacou que estrelas primitivas funcionam como janelas para o surgimento das primeiras galáxias e afirmou que o resultado do trabalho dos alunos superou as expectativas. Devido à relevância da descoberta, os dez estudantes foram incluídos como coautores do artigo científico, publicado em 3 de abril de 2026 na revista Nature Astronomy.