Ciência

Estudantes de Santa Maria desenvolvem triciclo movido a ar comprimido com garrafas PET

04 de Maio de 2026 às 12:29

Alunos do Colégio Técnico Industrial de Santa Maria criaram um triciclo movido a ar comprimido armazenado em 36 garrafas PET. O veículo atinge 10 km/h com autonomia de 750 metros. O projeto utiliza materiais reaproveitados para demonstrar conceitos de engenharia e física

Estudantes do Colégio Técnico Industrial de Santa Maria, instituição vinculada à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), desenvolveram um triciclo experimental movido a ar comprimido. O protótipo, concebido em 2015 no Laboratório de Pneumática sob a orientação do professor Sergio Adalberto Pavani, utiliza a expansão de ar pressurizado para gerar movimento mecânico, eliminando a necessidade de combustão interna ou baterias para a tração do veículo.

A estrutura do veículo foi montada com aço, rodas, freio, pedal e correia de bicicleta. O diferencial técnico reside no sistema de armazenamento: um conjunto de 36 garrafas PET que funcionam como tanques alternativos. O ar é comprimido previamente por meio de compressores elétricos e armazenado nessas garrafas, sendo liberado gradualmente para movimentar pistões ou mecanismos internos.

Em termos de desempenho, o triciclo atinge uma velocidade máxima de 10 km/h e possui autonomia de aproximadamente 750 metros, marca que varia conforme a pressão inicial, o peso do veículo e as condições de uso.

O projeto priorizou o baixo custo e a viabilidade didática, utilizando materiais reaproveitados e sucata para demonstrar a aplicação de conceitos de engenharia e física sem a dependência de equipamentos industriais avançados. A principal vantagem ambiental é a ausência de emissão de poluentes durante a operação, já que não há queima de combustível no ponto de uso.

Apesar da funcionalidade, o sistema apresenta limitações técnicas que dificultam a aplicação em larga escala. A densidade energética do ar comprimido é inferior à de combustíveis líquidos, exigindo volumes maiores de armazenamento para percorrer distâncias longas. Além disso, há perda de energia durante o processo de compressão e a necessidade de cuidados específicos de segurança no armazenamento do ar.

O experimento, detalhado em publicação da Revista Arco da UFSM em maio de 2016, insere-se em um cenário de busca por alternativas aos combustíveis fósseis. Embora não substitua tecnologias consolidadas como a eletrificação ou o hidrogênio, a iniciativa comprova a possibilidade de criar sistemas de mobilidade funcionais a partir de princípios físicos simples e materiais acessíveis.

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