Estudantes de Taubaté criam drone subaquático de baixo custo com plástico reciclado para monitoramento ambiental
Alunos da Etec e da Idesa Taubaté criaram o DRAST, um drone subaquático de baixo custo feito de plástico reciclado para monitoramento ambiental e remoção de resíduos metálicos. O projeto e o material MEAR foram apresentados na FEBRACE e selecionados para a Regeneron ISEF, nos Estados Unidos
Estudantes da Etec Taubaté e da Idesa Taubaté, em São Paulo, desenvolveram o DRAST (Dispositivo Remoto Aquático Simplificado Tecnológico), um drone subaquático de baixo custo voltado para a coleta de dados ambientais e monitoramento de ecossistemas. O equipamento, que chegou à sua sexta versão de protótipo, opera via controle remoto e é capaz de registrar imagens do fundo aquático, medir a luminosidade e a temperatura da água. Um diferencial técnico do dispositivo é a presença de uma garra magnética, que permite a remoção de resíduos metálicos, como parafusos e fragmentos de equipamentos, acumulados em rios e lagos urbanos.
A construção do drone foi fundamentada no uso do polietileno de alta densidade (PEAD) reciclável, material amplamente descartado pela indústria brasileira em embalagens de detergentes, garrafas de água sanitária e canos de esgoto. A escolha do PEAD justifica-se por sua impermeabilidade, resistência estrutural e capacidade de reciclagem, integrando o projeto à lógica da economia circular. O DRAST surge como uma alternativa acessível aos ROVs (veículos subaquáticos operados remotamente) comerciais, cujos altos custos frequentemente inviabilizam o acesso de laboratórios comunitários e escolas públicas a essa tecnologia.
Durante a fase de desenvolvimento, a busca por um material que fosse simultaneamente leve, barato e resistente levou à criação de um segundo projeto: o MEAR (Material Ecológico de Alta Resistência). Trata-se de uma placa composta por PEAD reciclado fundido em temperatura controlada e reforçada com malha de aço. O desafio técnico central do MEAR foi a definição da temperatura exata de fusão do plástico, fator determinante para a homogeneidade e a resistência da placa final. Os testes validaram que a combinação do polímero com o aço resulta em um material versátil, com potencial de aplicação inclusive na construção civil.
Ambas as inovações foram apresentadas na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), organizada pela Universidade de São Paulo. Em sua edição de 19 de março de 2025, o evento reuniu 300 projetos finalistas, selecionados entre milhares de inscrições regionais. O desempenho dos projetos de Taubaté permitiu que eles alcançassem a Regeneron ISEF, nos Estados Unidos, a maior feira científica internacional para estudantes do ensino básico e técnico, que envolve jovens de 49 países.
A iniciativa de Taubaté soma-se a outros esforços de estudantes de escolas técnicas paulistas na área ambiental. Em Santana de Parnaíba, alunos da Etec local desenvolveram um drone de superfície para monitorar o Rio Tietê, projeto que recebeu reconhecimento na FEBRACE, no Fórum Brasil de Gestão Ambiental e foi finalista da terceira edição da Olimpíada Brasileira de Restauração de Ecossistemas (Restaura Natureza), promovida pelo WWF-Brasil e a associação Quero na Escola.