Estudo associa popularização de smartphones à redução das taxas de natalidade nos Estados Unidos
Estudo do National Bureau of Economic Research associa a popularização de smartphones à queda de 22% na fertilidade dos Estados Unidos desde 2007. A disponibilidade do iPhone reduziu nascimentos entre mulheres de 15 a 24 anos, tendência também observada em 128 países
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A disseminação de smartphones pode ter contribuído significativamente para a redução das taxas de natalidade nos Estados Unidos a partir de 2007. Um estudo do National Bureau of Economic Research, conduzido pela economista Caitlin Myers, do Middlebury College, e por Ezekiel Hooper, analisou a queda de 22% na fertilidade do país desde o lançamento do primeiro iPhone.
Para testar a correlação, os pesquisadores aproveitaram o fato de que, até 2011, a comercialização do aparelho nos Estados Unidos era exclusiva da operadora AT&T. A metodologia consistiu em comparar condados com ampla cobertura da empresa frente a regiões com acesso limitado ou inexistente ao serviço. Os resultados indicaram que a disponibilidade do iPhone esteve associada a uma diminuição de nascimentos entre 4,5% e 8,0% em mulheres de 15 a 19 anos, e entre 3,2% e 6,6% na faixa de 20 a 24 anos. Quedas estatisticamente significativas, embora em menor escala, também foram registradas em mulheres de idades mais avançadas.
Essa tendência é corroborada por outra investigação, publicada em maio pelos economistas Nathan Hudson e Hernan Moscoso Boedo, da Universidade de Cincinnati. Ao analisar dados do Banco Mundial sobre a penetração de smartphones e a fertilidade adolescente em 128 países, os autores observaram que a aceleração da queda nos nascimentos ocorreu simultaneamente à popularização dos aparelhos. O fenômeno se manifestou em nações com contextos culturais, econômicos, assistenciais e de saúde distintos.
Apesar de Myers e Hooper afirmarem que o smartphone desempenhou um papel considerável no cenário americano, eles ressaltam que o dispositivo não é a causa única do declínio. Há, inclusive, acadêmicos que questionam a tese, apontando que a redução de nascimentos entre adolescentes nos Estados Unidos já era observada desde o início da década de 1990, precedendo a existência da tecnologia.