Ciência

Estudo comprova a liberação sustentada de hidrogênio branco em rochas do Escudo Canadense

20 de Maio de 2026 às 06:24

Pesquisadores das universidades de Toronto e Ottawa comprovaram a liberação contínua de hidrogênio branco em rochas do Escudo Canadense. Medições em uma mina em Ontário indicam que a descarga total na região ultrapassa 140 toneladas métricas anuais. O gás ocorre em formações geológicas que também abrigam minerais como níquel, cobre e diamante

Estudo comprova a liberação sustentada de hidrogênio branco em rochas do Escudo Canadense
Hidrogênio branco medido no Canadá revela potencial energético em rochas antigas e pode abastecer minas e comunidades locais.

Geoquímicos das universidades de Toronto e Ottawa documentaram a liberação sustentada de hidrogênio branco proveniente de rochas bilionárias do Escudo Canadense. O estudo, publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências, baseou-se em medições diretas realizadas em uma mina ativa próxima a Timmins, em Ontário, onde foi observada a acumulação natural do gás na crosta terrestre.

As análises indicam que as perfurações no local liberam, em média, 0,008 tonelada métrica de hidrogênio por ano — volume equivalente a cerca de 8 quilos, peso similar ao de uma bateria de carro. A expectativa é que essas descargas persistam por um período de 10 anos ou mais. Ao expandir a estimativa para os quase 15.000 furos existentes na região, a descarga total ultrapassa 140 toneladas métricas anuais, transformando dados anteriormente teóricos em evidências mensuráveis.

Em termos energéticos, a extração de um único local poderia fornecer 4,7 milhões de quilowatts por ano, volume capaz de suprir a demanda elétrica de mais de 400 residências. A professora Barbara Sherwood Lollar, principal autora da pesquisa, aponta que a disponibilidade desse recurso nas rochas subterrâneas representa oportunidades críticas inexploradas que podem beneficiar centros industriais regionais e diminuir a dependência de combustíveis derivados de hidrocarbonetos.

O hidrogênio natural é gerado por reações químicas entre águas subterrâneas e rochas específicas, abundantes no Escudo Canadense. De acordo com a pesquisa, os maiores volumes do gás concentram-se em cenários geológicos de mineração no norte de Ontário, Quebec, Nunavut e nos Territórios do Noroeste. O coautor Oliver Warr associa a presença do gás às mesmas formações rochosas que abrigam níquel, cobre e diamante, além de minerais essenciais como cobalto, cromo, hélio e lítio.

Essa co-localização de recursos permite a redução de custos com infraestrutura, armazenamento e transporte. A aplicação do hidrogênio branco poderia diminuir a pegada de carbono de minas canadenses, compensar emissões industriais e levar energia limpa a comunidades do norte, reduzindo os gastos com transporte de combustível.

A descoberta oferece uma alternativa ao mercado global de hidrogênio, avaliado em US$ 135 bilhões. Atualmente, o gás é essencial para a segurança alimentar global por ser a base da produção de fertilizantes, além de ser utilizado na fabricação de aço e metanol. Contudo, a produção industrial contemporânea depende de processos intensivos em energia e do uso de combustíveis fósseis, como carvão, gás natural e petróleo, que liberam CO2 e monóxido de carbono. Mesmo o hidrogênio verde, oriundo de fontes renováveis, apresenta alto custo de produção e complexidade logística de transporte.

Até então, o hidrogênio branco era investigado prioritariamente por microbiologistas para estudos de astrobiologia, biosfera subterrânea e exploração espacial, mantendo a viabilidade econômica do recurso no campo da especulação. O novo estudo altera esse cenário ao comprovar a existência de volumes expressivos e fluxos constantes de energia limpa e barata no subsolo canadense.

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