Ciência

Estudo confirma a existência da segunda maior cratera de impacto da América do Sul no Piauí

27 de Maio de 2026 às 06:12

Estudo publicado na revista Meteoritics & Planetary Science confirmou a existência de uma cratera de impacto de 21 quilômetros de diâmetro em São Miguel do Tapuio, no Piauí. A estrutura, a segunda maior da América do Sul, resultou da colisão de um meteorito entre 159 e 267 milhões de anos atrás. A comprovação ocorreu via análise de amostras de arenito com marcas de deformação por choque

Estudo confirma a existência da segunda maior cratera de impacto da América do Sul no Piauí
Um meteorito de 2 km a 60 mil km/h abriu no Piauí uma cratera de 21 km, a 2ª maior da América do Sul, confirmada por estudo brasileiro após quase cinco décadas.

Um estudo brasileiro, publicado na revista *Meteoritics & Planetary Science*, confirmou a existência de uma cratera de impacto no norte do Piauí, consolidando-a como a segunda maior da América do Sul. Localizada no município de São Miguel do Tapuio, a cerca de 215 quilômetros de Teresina, a estrutura possui 21 quilômetros de diâmetro e passa a ser a nona cratera oficialmente reconhecida no Brasil e a 37ª maior do mundo, em um universo de aproximadamente 200 identificadas no planeta.

A formação foi originada pela colisão de um meteorito com cerca de 2,2 quilômetros de diâmetro, que viajava a 60 mil quilômetros por hora. A magnitude da energia liberada pulverizou a maior parte do corpo celeste, transformando fragmentos em gases e deixando poucos vestígios do material espacial no local. Estima-se que o evento tenha ocorrido entre 159 e 267 milhões de anos atrás. Devido ao longo processo de erosão, a cratera tornou-se desgastada, assemelhando-se a morros comuns da paisagem local.

A confirmação científica, liderada pelo professor emérito Álvaro Crósta, da Unicamp, demandou quase cinco décadas de investigação. Embora a estrutura circular tenha sido detectada nos anos 1970 e 1980 por imagens de radar do Projeto Radambrasil, a comprovação de sua origem extraterrestre era dificultada pelo relevo acidentado e pela vegetação densa da Caatinga, que impediam o acesso ao núcleo da formação.

A prova definitiva foi obtida durante uma expedição em 2017, quando Crósta e o professor Marcos Alberto Rodrigues Vasconcelos, da UFBA, conseguiram se aproximar do centro da cratera com o auxílio de um morador local e de uma equipe da Petrobras. Foram coletadas 50 amostras de arenito, mas apenas as duas últimas, colhidas mais próximas ao centro, apresentaram as evidências necessárias: marcas de deformação por choque em grãos de quartzo. Essas deformações microscópicas ocorrem apenas sob pressões extremas, na ordem de 20 gigapascais (cerca de 200 mil atmosferas), nível de pressão que não é gerado por processos geológicos superficiais da Terra.

As análises laboratoriais foram realizadas na Universidade de Viena, na Áustria, por meio de lâminas de rocha. O trabalho contou com a colaboração de pesquisadores das universidades federais de Brasília, Santa Catarina, São Carlos e Ceará, além da USP, utilizando também dados topográficos de satélites de radar para avaliar a erosão e a forma da estrutura.

Atualmente, a maior cratera da América do Sul permanece sendo o Domo de Araguainha, na divisa entre Mato Grosso e Goiás, que possui 40 quilômetros de diâmetro e foi formada há cerca de 250 milhões de anos por um meteorito de 4 quilômetros.

O professor Crósta, que participou da confirmação de todas as nove crateras brasileiras, indica que outras estruturas ainda estão sob estudo, inclusive algumas submersas ou inundadas. Para a comunidade científica, o mapeamento desses registros é fundamental para compreender a evolução da superfície terrestre e monitorar a probabilidade de eventos catastróficos futuros.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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