Ciência

Estudo da Udesc identifica propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias na fruta nativa guabiroba

04 de Maio de 2026 às 15:12

Pesquisadores da Udesc identificaram compostos antioxidantes e anti-inflamatórios na guabiroba, com flavonoides que atuam no colesterol e na glicemia. Testes com cães utilizando biscoitos de extrato da fruta confirmaram a preservação desses benefícios após o processamento industrial. A espécie, nativa do Sul e Sudeste, também contém vitamina C, potássio e carotenoides

Pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) identificaram que a guabiroba (*Campomanesia xanthocarpa*), fruta nativa das regiões Sul e Sudeste do Brasil, possui compostos fenólicos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. O estudo, publicado em 2025 no periódico científico *Foods*, destaca a presença de flavonoides capazes de proteger as artérias, modular os níveis de açúcar no sangue e reduzir o colesterol total.

A análise laboratorial revelou um arsenal de substâncias bioativas, incluindo os ácidos clorogênico, gálico, cafeico e elágico, além de quercetina, miricetina e kaempferol. Por meio de uma simulação do processo digestivo, a equipe liderada pela engenheira de alimentos Aniela Kempka constatou que diversos desses elementos permanecem acessíveis ao organismo após a digestão, não sendo destruídos pelos ácidos estomacais.

Para testar a aplicação prática desses componentes, os cientistas desenvolveram um biscoito elaborado com extrato de frutos e folhas da planta. Em experimento controlado com cães, o consumo do alimento processado resultou na redução do colesterol total e no controle glicêmico, comprovando que as propriedades benéficas da fruta são preservadas mesmo após o processamento industrial. Apesar dos resultados positivos em modelos animais, a validação definitiva desses achados requer a realização de estudos com seres humanos.

Complementando as descobertas da Udesc, dados da Embrapa Florestas indicam que a guabiroba é rica em vitamina C e potássio, mineral essencial para o controle da pressão arterial. A fruta também contém carotenoides, pigmentos que conferem a cor amarela ao fruto e adicionam uma camada extra de proteção antioxidante.

Apesar do potencial nutricional e da versatilidade culinária — podendo ser consumida *in natura* ou em geleias, sucos e molhos —, a guabiroba permanece desconhecida para a maioria da população. A espécie cresce em árvores de grande porte, com mais de 15 metros, em áreas de Mata Atlântica, mas a ausência de uma cadeia comercial organizada e a dependência do extrativismo impedem que o produto chegue aos supermercados.

A nutricionista Ana Paula Dorta de Freitas, do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia, ressalta que a exploração da guabiroba é estratégica nos âmbitos científico, nutricional, econômico e ambiental, visto que a espécie ainda é subutilizada no desenvolvimento de alimentos funcionais. O grupo de pesquisa da Udesc mantém ainda a análise de outras frutas nativas da Mata Atlântica, como pitanga, araçá e jabuticaba, visando ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade alimentar brasileira.

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