Ciência

Estudo da UFC analisa uso de resíduo da castanha de caju para aumentar resistência de rodovias

26 de Maio de 2026 às 18:10

Pesquisa da Universidade Federal do Ceará testou o uso do Líquido da Casca da Castanha de Caju como aditivo ao Cimento Asfáltico de Petróleo. O objetivo é aumentar a aderência entre o ligante e agregados minerais para reduzir danos causados pela umidade em pavimentos flexíveis

Estudo da UFC analisa uso de resíduo da castanha de caju para aumentar resistência de rodovias

Um estudo desenvolvido na Universidade Federal do Ceará (UFC) investigou a aplicação do Líquido da Casca da Castanha de Caju (LCC), subproduto da agroindústria do Nordeste brasileiro, como aditivo para melhorar a resistência de pavimentos flexíveis à ação da água. A pesquisa, conduzida pelo pesquisador Edeilto de Almeida Ribeiro e apresentada em 2011, focou na modificação do Cimento Asfáltico de Petróleo (CAP) para aumentar a aderência entre esse ligante e os agregados minerais do revestimento.

O objetivo central da investigação foi mitigar o chamado dano por umidade, fenômeno que compromete a durabilidade das rodovias. Em misturas asfálticas convencionais, a interferência da água pode romper a ligação entre o ligante derivado do petróleo e os minerais, resultando em perda de coesão, descolamento, fissuras e desgaste precoce, especialmente em trechos expostos a chuvas, tráfego intenso e variações térmicas.

A proposta técnica não prevê a substituição integral do asfalto por resíduos da castanha, mas sim a incorporação do LCC como um modificador químico. Através de suas propriedades físico-químicas, o aditivo busca alterar as características do ligante para otimizar a resposta do material ao envelhecimento e a sua resistência mecânica e reológica.

A utilização desse insumo renovável aproxima a engenharia de pavimentação das cadeias produtivas nacionais, transformando um resíduo do beneficiamento industrial do caju em um material de maior valor agregado. Essa abordagem permite que a melhoria da malha rodoviária seja estudada a partir de recursos regionais, reduzindo a dependência de insumos industriais externos.

Apesar dos resultados laboratoriais, a transição para a aplicação em larga escala em obras públicas requer etapas adicionais de validação. Para que o LCC seja implementado em rodovias, é necessária a análise de custos, a padronização do material, a verificação da compatibilidade com diferentes tipos de agregados e a comprovação de desempenho sob tráfego real e variadas faixas de temperatura. Portanto, o material permanece como um objeto de estudo técnico, dependendo de medições consistentes de desempenho antes de ser consolidado como uma solução definitiva para a infraestrutura viária.

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