Ciência

Estudo da UFPA indica que o açaí possui propriedades contra a ansiedade e a depressão

13 de Maio de 2026 às 12:10

Cientistas da Universidade Federal do Pará identificaram propriedades neuroprotetoras no açaí que combatem ansiedade e depressão em ratos adolescentes. O estudo utilizou suco clarificado rico em polifenóis, resultando em menor estresse oxidativo no sistema nervoso central dos animais

Estudo da UFPA indica que o açaí possui propriedades contra a ansiedade e a depressão
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Pesquisas conduzidas por cientistas da Universidade Federal do Pará (UFPA) indicam que o açaí (*Euterpe oleracea*) possui propriedades neuroprotetoras capazes de atuar contra quadros de ansiedade e depressão em organismos em fase de desenvolvimento. O estudo, coordenado pelo professor Hervé Rogez do Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (CVACBA), buscou validar cientificamente a sensação de relaxamento relatada por populações ribeirinhas que consomem a fruta habitualmente desde a infância.

Para isolar a causa desses efeitos, a equipe desenvolveu um suco de açaí clarificado. Por meio de processos de microfiltração e centrifugação da polpa, foi obtida uma fração aquosa rica em polifenóis, porém isenta de fibras, proteínas, carboidratos e lipídios. Essa metodologia permitiu que os pesquisadores associassem os resultados observados especificamente aos compostos fenólicos, com destaque para as antocianinas (cianidina-3-rutinosídeo e cianina-3-glucosídeo), que conferem a cor roxa ao fruto.

A investigação foi realizada com ratos machos em idade equivalente à adolescência humana (entre 10 e 18 anos), período caracterizado por intensa plasticidade sináptica e maior vulnerabilidade a estressores ambientais. Para mimetizar o consumo real das comunidades do entorno de Belém, que ingerem cerca de 500ml da fruta diariamente, foi administrada aos animais uma dose de 5,85ml do suco clarificado, disponibilizada por 12 horas diárias durante dez dias.

Os resultados comportamentais foram mensurados por meio de quatro testes específicos. No teste do campo aberto, os animais que consumiram o açaí exploraram mais a área central da arena, indicando menor nível de ansiedade. Esse dado foi ratificado pelo teste do labirinto em cruz elevado, no qual houve aumento do tempo de permanência e da frequência de entrada nos braços abertos do equipamento.

A ação antidepressiva foi observada no teste do nado forçado, onde os animais suplementados apresentaram menor tempo de imobilidade e maior tempo de escalada. Já a capacidade de memória e reconhecimento de espaços foi avaliada pelo teste do labirinto em Y.

Além das mudanças comportamentais, a análise biológica revelou que o açaí reduziu o estresse oxidativo em regiões críticas do Sistema Nervoso Central. No córtex pré-frontal, área responsável pela tomada de decisão e emocionalidade, houve aumento da glutationa peroxidase, enzima que protege as células contra danos oxidativos em proteínas, lipídios e DNA. Efeitos semelhantes foram detectados na amígdala, com a redução do dano oxidativo, e no hipocampo, onde se observou a elevação da atividade enzimática da catalase.

Embora os resultados sejam promissores e reforcem as propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e cardioprotetoras já conhecidas da fruta, os pesquisadores ressaltam que o estudo ainda se encontra em fase de testes com animais. Novas investigações são necessárias para detalhar as vias biológicas exatas que permitem ao açaí exercer tais efeitos ansiolíticos e antidepressivos.

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