Estudo do MIT indica que a comunicação com o passado seria viável em canais quânticos com ruído
Pesquisadores do MIT analisaram a viabilidade matemática de transmitir mensagens ao passado via canais quânticos com ruídos. O estudo concluiu que a comunicação permaneceria possível e seria mais eficaz que em canais convencionais. A pesquisa teórica não indica a existência de tecnologia para realizar o procedimento no mundo real
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Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), sob a liderança de Seth Lloyd e Kaiyuan Ji, investigaram a possibilidade matemática de transmitir mensagens ao passado utilizando canais quânticos sujeitos a ruídos. O estudo foca nas curvas temporais fechadas, que são trajetórias no espaço-tempo capazes de permitir o retorno a um ponto anterior após o avanço para o futuro, fundamentando-se nos princípios da relatividade geral de Einstein.
A viabilidade de criar tais curvas em escala cósmica é limitada pela necessidade de deformar o espaço-tempo, processo que exigiria níveis de energia inalcançáveis. Diante disso, a equipe concentrou a análise na mecânica quântica e no fenômeno do entrelaçamento, no qual o estado de duas partículas permanece conectado independentemente da distância. Essa característica leva parte da comunidade física a interpretar que informações poderiam ser enviadas retroativamente no tempo para orientar o comportamento futuro de uma partícula.
Em 2010, Seth Lloyd já havia conduzido um experimento com fótons entrelaçados para simular uma curva temporal fechada quântica, comparando a ação ao envio de um fóton alguns nanosegundos ao passado para interagir com sua própria versão anterior. A pesquisa atual, porém, introduz a variável da interferência, tratando o canal temporal como um sistema imperfeito. Ao utilizar a teoria da informação, os cientistas constataram que a comunicação com o passado permaneceria viável mesmo com a presença de ruídos, apresentando, inclusive, maior eficácia do que canais convencionais com o mesmo nível de imperfeição.
A lógica do estudo foi inspirada na premissa de que o emissor no futuro, ao recordar como a mensagem foi decodificada no passado, consegue ajustar a codificação para otimizar a transmissão. Apesar do avanço teórico, Andreas Winter, da Universidade de Colónia, ressalta que não existem mecanismos conhecidos que tornem a viagem no tempo ou o envio de sinais ao passado possíveis no mundo real. O trabalho do MIT, portanto, não indica a existência de tecnologia para tal feito, mas amplia a compreensão sobre estratégias de comunicação e o funcionamento de canais quânticos com ruído.