Ciência

Estudo documenta guerra civil entre chimpanzés selvagens com mais de 20 mortes em Uganda

21 de Maio de 2026 às 18:08

Uma comunidade de chimpanzés em Ngogo, Uganda, dividiu-se socialmente, resultando em uma guerra civil com mais de 20 mortes entre 2018 e 2024. O conflito, detalhado na revista Science, envolveu 24 ataques após a fragmentação de um grupo de mais de 200 indivíduos

Estudo documenta guerra civil entre chimpanzés selvagens com mais de 20 mortes em Uganda
Imagem: Ilustração artística

Uma comunidade de chimpanzés selvagens em Ngogo, Uganda, passou por um processo de divisão social que culminou em uma guerra civil com mais de 20 mortes, incluindo filhotes. O conflito, detalhado em estudo publicado na revista *Science*, resultou em 24 ataques registrados entre 2018 e 2024, transformando antigos companheiros em rivais letais.

A fragmentação do grupo, que contava com mais de 200 indivíduos, iniciou-se em 2015 por meio de uma polarização social gradual. Inicialmente, a comunidade se dividiu espacialmente: uma parte ocupou a região central do território e a outra se estabeleceu na área oeste. Durante esse período de transição, os animais ainda mantinham interações, realizando atividades de caça conjunta e relações sexuais.

A separação definitiva foi constatada pelos pesquisadores em 2018, após o enfraquecimento dos laços sociais. A ruptura tornou-se irreversível quando indivíduos que serviam como conexão entre os subgrupos morreram devido a doenças. A partir desse ponto, a dinâmica mudou drasticamente, e os chimpanzés passaram a realizar patrulhas nas novas fronteiras territoriais, o que intensificou a violência intergrupal e as mortes de machos adultos e bebês.

O fenômeno é considerado raro entre chimpanzés selvagens, sendo este apenas o segundo caso documentado em 50 anos, depois do registro feito por Jane Goodall em Gombe, na Tanzânia. A reconstrução desse comportamento foi possível graças ao acompanhamento da comunidade de Ngogo há três décadas, utilizando a combinação de dados genéticos, observações de campo e GPS.

A análise indica que a violência não deve ser atribuída apenas aos machos, que lideram as patrulhas. As fêmeas exercem influência fundamental na estrutura social, impactando a dinâmica do grupo por meio de estratégias reprodutivas, relações sociais complexas e decisões sobre a seleção de alimentos e o uso do espaço.

O estudo estabelece ainda um contraste com o comportamento dos bonobos. Embora possuam proximidade evolutiva semelhante com os seres humanos, os bonobos mantêm associações mais tolerantes entre grupos e não apresentam conflitos letais após processos de divisão.

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