Ciência

Estudo identifica 85 novos lagos subglaciais ativos na Antártida por meio de dados de satélite

23 de Maio de 2026 às 06:12

Estudo publicado na Nature Communications identificou 85 novos lagos subglaciais ativos na Antártida, totalizando 231 reservatórios no continente. A pesquisa utilizou dados do satélite CryoSat-2 entre 2010 e 2020, mapeando 73 lagos na Antártida Oriental e 12 na Ocidental

Estudo identifica 85 novos lagos subglaciais ativos na Antártida por meio de dados de satélite
Cientistas identificam 85 lagos ativos sob o gelo da Antártida com dados de satélite e ampliam o mapa da água subglacial no continente. (Imagem: Ilustrativa)

A identificação de 85 novos lagos subglaciais ativos na Antártida elevou para 231 o número de reservatórios desse tipo conhecidos no continente. O estudo, publicado em setembro de 2025 na revista *Nature Communications*, baseou-se em dados coletados entre 2010 e 2020 pelo satélite CryoSat-2, da Agência Espacial Europeia, que utiliza um altímetro de radar para monitorar a espessura do gelo polar e variações de altitude em massas glaciais.

A detecção ocorreu por meio da análise de oscilações discretas na superfície do gelo. Como a camada congelada sobe quando um lago subglacial é preenchido e desce quando a água drena, a comparação desses movimentos ao longo de uma década permitiu mapear os ciclos de enchimento e esvaziamento de áreas inacessíveis por métodos convencionais.

Esses lagos formam-se pelo acúmulo de água de degelo entre o gelo e o leito rochoso, processo impulsionado pelo atrito do deslocamento da massa gelada e pelo calor geotérmico proveniente do interior da Terra. A pesquisa revelou que a hidrologia subglacial é mais dinâmica do que se imaginava, identificando cinco redes interligadas e 25 agrupamentos de lagos. Em certas regiões, a drenagem em um ponto e o preenchimento em outro indicam a existência de caminhos de circulação de água ainda pouco conhecidos.

Quanto à distribuição geográfica, 73 dos novos lagos ativos situam-se na Antártida Oriental e 12 na Antártida Ocidental, ampliando significativamente o registro de atividade no leste do continente. O estudo também destacou a presença de seis lagos localizados a até 8 quilômetros da linha de aterramento, zona onde a geleira deixa de tocar a rocha e passa a flutuar sobre o oceano, dado relevante para a compreensão do fluxo de gelo e do derretimento basal.

No período analisado, foram registrados 37 eventos completos de drenagem e 34 de preenchimento. O levantamento acrescentou 12 ciclos completos de enchimento e drenagem ao inventário global, que passou de 36 para 48 registros mundiais. A mediana de tempo para a conclusão de uma drenagem foi de 2,2 anos, enquanto o preenchimento levou, em média, 3,5 anos.

A dinâmica desses reservatórios influencia o comportamento das geleiras, pois a água na base da camada de gelo pode reduzir o atrito com o solo rochoso, facilitando o deslizamento da massa em direção ao mar. Sally Wilson, pesquisadora da Universidade de Leeds e autora principal do estudo, pontuou que o mapeamento da atividade desses lagos é fundamental para aprimorar modelos de estimativa da elevação do nível do mar, que ainda não incorporam plenamente a hidrologia subglacial.

O estudo diferencia os lagos ativos daqueles considerados estáveis, que não apresentam ciclos de esvaziamento e preenchimento. Um exemplo de lago estável é o Vostok, localizado na Antártida Oriental sob cerca de 4 quilômetros de gelo, com volume estimado entre 5.000 e 65.000 quilômetros cúbicos de água.

Para os pesquisadores, a utilização de dados orbitais é a ferramenta central para monitorar processos que ocorrem sob centenas de metros de gelo sem a necessidade de perfurações diretas. A continuidade dessas observações é necessária para preencher lacunas sobre a frequência dos ciclos e os fatores que iniciam os eventos de drenagem, permitindo entender a interação entre gelo, rocha, água e oceano.

Com informações de Click Petróleo e Gás

Notícias Relacionadas