Ciência

Estudo identifica nova espécie de réptil marinho de 13 metros que habitou a América do Norte

25 de Maio de 2026 às 15:12

Estudo publicado no Bulletin of the American Museum of Natural History descreve o Tylosaurus rex, réptil marinho de 13,2 metros que habitou o Mar Interior Ocidental há 81 e 79 milhões de anos. A nova espécie, identificada por fósseis no Texas, diferencia-se do Tylosaurus proriger por possuir dentes serrilhados e mandíbula densa

Estudo identifica nova espécie de réptil marinho de 13 metros que habitou a América do Norte
Esqueleto de mosassauro montado no Texas Science Museum, em Austin.

A identificação de uma nova espécie de réptil marinho, o *Tylosaurus rex*, foi detalhada em estudo publicado na edição 482 do *Bulletin of the American Museum of Natural History*. A pesquisa, assinada por Amelia R. Zietlow, Michael J. Polcyn e Ronald S. Tykoski, revela que o animal habitou o Mar Interior Ocidental entre 81 e 79 milhões de anos atrás, durante o estágio Campaniano do Cretáceo Superior. Esse ecossistema consistia em um mar raso que dividia a América do Norte em duas massas de terra, Laramidia e Appalachia, estendendo-se do Golfo do México até o Ártico canadense.

O espécime, cujos fósseis foram localizados em camadas geológicas do Texas, apresenta dimensões expressivas. Com base nas medições do crânio e dos ossos cervicais, o predador atingia 13,2 metros de comprimento. O *Tylosaurus rex* ocupava o topo da cadeia alimentar em seu ambiente, alimentando-se de peixes grandes, plesiossauros, tubarões pré-históricos e outros mosassauros de menor porte.

A descoberta ocorreu a partir da reavaliação de fósseis que já integravam coleções de museus há décadas, mas que estavam incorretamente classificados como *Tylosaurus proriger*, uma espécie parente que viveu no atual Kansas cerca de 4 milhões de anos antes. A distinção da nova espécie foi confirmada após análise detalhada da mandíbula, dos ossos do crânio e da contagem de dentes, evidenciando diferenças morfológicas mesmo em indivíduos de tamanhos semelhantes.

O traço anatômico mais distintivo do *Tylosaurus rex* é a presença de dentes finamente serrilhados, característica rara entre os mosassauros, que geralmente possuem dentes cônicos e lisos para fixação de presas. Essas serrilhas, associadas a uma musculatura cervical e mandíbula mais densas que as do *Tylosaurus proriger*, permitiam mordidas capazes de rasgar tecidos e esmagar o crânio das vítimas. Tal especialização coloca o animal em um nicho ecológico comparável ao do tubarão branco contemporâneo, embora com dimensões significativamente maiores, já que o tubarão moderno mede entre cinco e seis metros.

O trabalho científico contou com a colaboração de pesquisadores do American Museum of Natural History, em Nova York, da Southern Methodist University e do Perot Museum of Nature and Science, em Dallas. Este último museu, onde parte do material está armazenada, montou uma exposição com o esqueleto do animal em uma sala dedicada aos fósseis do Mar Interior Ocidental.

A descrição do *Tylosaurus rex* integra um período de intensa atividade paleontológica no Cretáceo Superior. Apenas no mês de maio, foram batizadas cinco novas espécies de répteis pré-históricos, incluindo o *Nagatitan chaiyaphumensis*, um dinossauro de pescoço longo encontrado na Tailândia com 27 metros e 28 toneladas. Esse volume de achados indica uma aceleração no ritmo de descrição de vertebrados mesozoicos. Além disso, a revisão de acervos sugere que depósitos em Pernambuco e Sergipe, no Brasil, que possuem registros de mosassauros menores, podem conter fósseis mal preservados com potencial para futuras revisões técnicas.

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